OLAF reforça controlo sobre fundos da UE, com 597 milhões de euros por recuperar

OLAF reforça controlo sobre fundos da UE, com 597 milhões de euros por recuperar
OLAF reforça controlo UE

A pressão sobre o uso de verbas europeias aumenta num momento em que Portugal continua a depender de financiamentos da UE para agricultura, infraestruturas, investigação e coesão. O relatório anual de 2025 do Organismo Europeu de Luta Antifraude identifica 597 milhões de euros em fundos utilizados de forma indevida para recuperação e bloqueia mais 18 milhões antes do pagamento.

Destaques

  • OLAF recomenda a recuperação de 597 milhões de euros em fundos da UE e trava 18 milhões em despesas impróprias, aumentando a pressão sobre a conformidade.
  • A capacidade operacional da OLAF diminuiu com a perda de 110 postos permanentes em 15 anos, enquanto cresce o número e a complexidade dos esquemas de fraude e evasão.
  • Empresas portuguesas financiadas pela UE enfrentam maior escrutínio em contratação, custos e subcontratação, impactando a elegibilidade futura com revisões programadas até 2026 e novo orçamento em 2027.

Relatório de 2025 agrava alerta de conformidade

Como noticiou o ThePortugalPost, o relatório anual de 2025 do Organismo Europeu de Luta Antifraude, divulgado hoje, mostra uma vigilância mais apertada sobre irregularidades financeiras, fraude aduaneira, contrabando e tentativas de contornar sanções da UE contra a Rússia e a Bielorrússia. Para entidades sediadas em Portugal que recebem apoio europeu, o sinal é claro, a conformidade passa a ter peso direto no acesso futuro a verbas e na velocidade de aprovação de projetos.

O organismo recomenda a recuperação de 597 milhões de euros e trava outros 18 milhões em despesas impróprias antes do desembolso. O texto sublinha que os montantes recuperados regressam ao orçamento central da UE e não ao Estado-membro de origem, o que pode pressionar a disponibilidade futura de financiamento para programas portugueses de infraestruturas, investigação e desenvolvimento regional.

A capacidade operacional da OLAF também está sob tensão. A agência perde 110 postos permanentes em 15 anos, ao mesmo tempo que lida com esquemas mais complexos, incluindo fraude digital, carrosséis de IVA e evasão de sanções, e aprofunda a cooperação com a Procuradoria Europeia, que atua em matéria criminal, incluindo em Portugal.

Impacto para empresas e entidades em Portugal

Em 2025, a OLAF encerra 209 investigações e abre 254 novos processos, abrangendo fraude financeira complexa, infrações aduaneiras, contrabando transfronteiriço e fraude ambiental. Embora o texto não identifique entidades portuguesas nos principais casos destacados de 2024, Portugal integra a rede europeia de deteção de fraude e partilha informação com as autoridades europeias sobre esquemas transfronteiriços de IVA e evasão aduaneira, incluindo mercadorias em trânsito por Lisboa e Porto.

Para empresas, autarquias e organizações sem fins lucrativos com projetos financiados pela UE, as áreas de maior risco mantêm-se centradas em conflitos de interesses, manipulação contratual, inflação de custos e falhas de controlo sobre subcontratados. Entidades ligadas a energia renovável, turismo, modernização agrícola, logística e bens de dupla utilização enfrentam atenção acrescida, sobretudo perante o reforço da aplicação de sanções europeias.

O relatório aponta ainda lições retiradas de casos noutros Estados-membros, como fraude em contratação pública na Polónia, importações ilegais na Irlanda, redes de contrabando na Roménia e em Itália, contrafação em Espanha e brinquedos falsos detetados numa operação liderada por França. Num inquérito de janeiro de 2026 a projetos húngaros de desenvolvimento rural, a OLAF sinaliza procedimentos manipulados e preços inflacionados, evitando cerca de 500 mil euros em despesa imprópria, exemplo de como irregularidades num país podem levar a controlos mais rígidos em toda a UE.

Nos próximos meses, entidades portuguesas com financiamento europeu devem rever processos de contratação, documentação de custos e mecanismos de prevenção de conflitos de interesse. Com a revisão intercalar de programas europeus esperada entre o segundo e o terceiro trimestre de 2026 e a preparação do próximo ciclo orçamental a partir de 2027, um histórico limpo de prevenção de fraude pode ser determinante para preservar elegibilidade e acesso a futuras tranches de apoio.

No nosso artigo anterior sobre o alerta do Banco de Portugal contra a Fiducia Credito, destacámos que a entidade e o site www.fiduciapt.com foram associados a uma operação de crédito não autorizada, sem licença para conceder ou intermediar empréstimos em Portugal. O aviso sublinhou os riscos para consumidores, incluindo possível fraude, pedidos de pagamentos antecipados e uso indevido de dados, reforçando a necessidade de verificação prévia junto do supervisor e denúncia às autoridades quando houver suspeitas.

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