Setor TVDE convoca protesto em Lisboa por tarifas, combustíveis e revisão da lei
Motoristas e operadores de TVDE concentram-se na quarta-feira no Campo Pequeno, em Lisboa, para pressionar plataformas e Governo numa fase em que avança a revisão do regime legal do setor. A mobilização reúne reivindicações sobre tarifas, apoios ao combustível e rejeição da entrada dos táxis na atividade TVDE prevista numa proposta em discussão no parlamento.
Destaques
- Setor TVDE convoca protesto em Lisboa para 10:00 no Campo Pequeno exigindo aumento das tarifas, apoio ao combustível e exclusão dos táxis na revisão da Lei 45/2018.
- Motoristas e operadores criticam tarifas abaixo do custo, apoio governamental insuficiente ao TVDE e proposta do PSD que permite a entrada de táxis no setor, com oposição da AMT.
- Dados do IMT mostram 39.615 motoristas e 14.649 operadores ativos em março, destacando a importância da revisão legal do mercado em discussão parlamentar desde março.
Protesto nacional pressiona revisão regulatória
Segundo a Lusa, o protesto está marcado para as 10:00 no Campo Pequeno e junta associações do setor que dizem ter alinhado três exigências centrais, aumento das tarifas praticadas pelas plataformas, exclusão dos táxis do TVDE na revisão da Lei 45/2018 e criação de apoio ao combustível. Ivo Fernandes, da Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados, e Victor Soares, da Associação Nacional Movimento, TVDE, afirmam que operadores e motoristas convergem nestes pontos, apesar de manterem algumas divergências.As associações defendem que as tarifas continuam a descer para níveis abaixo do custo, enquanto o custo de vida sobe. Contestam também a proposta do PSD em discussão na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, por admitir a entrada dos táxis na atividade TVDE, uma hipótese que, segundo os representantes do setor, não faz sentido e já enfrentou oposição da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes.
Os organizadores indicam que não haverá desfile automóvel como em ações anteriores. Os carros ficam parados e motoristas e operadores seguem pelos próprios meios para as sedes da Bolt e da Uber, em Lisboa, prevendo depois chegar à Assembleia da República pelas 13:00; quem não puder deslocar-se à capital pode parar o serviço noutras zonas do país.
Em paralelo, um grupo que se apresenta como trabalhadores das plataformas Glovo, Uber Eats e TVDE anuncia uma paralisação de 24 horas para quarta-feira. No comunicado, a iniciativa é apresentada como resposta ao agravamento dos riscos de segurança, à exploração física e ao que os trabalhadores classificam como tratamento algorítmico injusto.
Pressão económica e dimensão do mercado
As reivindicações incluem ainda medidas de mitigação para o aumento do preço dos combustíveis, num contexto de constrangimentos internacionais e guerras referido pelos representantes do setor. As associações criticam o facto de o Governo ter apoiado transportes públicos e empresas de transporte e mercadorias, deixando de fora o TVDE, embora mais de metade da frota continue dependente de combustível.De acordo com os dados oficiais da plataforma criada pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes em colaboração com a Uber e a Bolt, em março estavam registados 39.615 motoristas certificados ativos e 14.649 operadores ativos. Estes números mostram a escala económica de um mercado que se aproxima da sua revisão mais ampla desde a entrada em vigor da chamada lei Uber.
Em meados de março, mais de sete anos após a lei ter entrado em vigor, a revisão do regime jurídico dos TVDE passou no parlamento à especialidade com a aprovação dos projetos do PSD e do CDS-PP. A proposta do PSD é a que reúne mais alterações, com o objetivo de atualizar o enquadramento legal à evolução tecnológica e ao crescimento do mercado, além de reforçar fiscalização, segurança e clareza de responsabilidades dentro do setor.
A primeira alteração ao diploma ocorreu em dezembro de 2024 e passou a fixar normas para a obtenção e renovação do certificado de motorista. Já na legislatura anterior, propostas do PSD e da Iniciativa Liberal chegaram a avançar na generalidade, mas a queda do Governo interrompeu o processo.
Na nossa publicação anterior sobre a escalada das tensões no Médio Oriente e a subida do Brent acima dos 108 dólares, analisámos como o encarecimento do crude tende a traduzir-se em combustíveis mais caros e maior pressão de custos para energia, transportes e consumo em Portugal. Também destacámos os riscos de efeitos em cadeia, incluindo custos operacionais mais elevados no transporte rodoviário, impacto no combustível de aviação e maior incerteza para setores dependentes de energia.
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