António Costa reage a escutas da Operação Influencer e diz não ter acesso ao processo
A divulgação de escutas sobre o projeto Start Campus em Sines volta a colocar pressão política e judicial sobre a Operação Influencer. António Costa afirma que pediu várias vezes acesso ao processo, mas diz que continua sem conhecer os autos que sustentam a investigação que levou à sua demissão do cargo de primeiro-ministro.
Destaques
- Divulgação de escutas revela conversa entre António Costa e Diogo Lacerda Machado sobre o projeto Start Campus em Sines, contrariando declarações anteriores do ex-primeiro-ministro em novembro de 2023.
- Nas interceções, Lacerda Machado menciona investimento iminente dos americanos em Sines e entusiasmo pelo projeto, com Costa considerando positivamente esse entusiasmo.
- A Operação Influencer investiga suspeitas criminais ligadas ao centro de dados de Sines e levou, em novembro de 2023, à queda do Governo de António Costa e à detenção temporária de cinco pessoas.
Escutas sobre Sines agravam contradição pública
Como noticiou a CNN Portugal, foram divulgadas escutas em que António Costa conversa com Diogo Lacerda Machado sobre o projeto Start Campus, em Sines, contrariando declarações feitas pelo antigo primeiro-ministro em novembro de 2023, quando garantiu que essa conversa nunca tinha existido.Falando em Braga aos jornalistas, o atual presidente do Conselho Europeu afirma que foi ouvido há quase dois anos, a seu pedido, e que desde então desconhece a evolução do caso. Costa acrescenta que requereu por diversas vezes o acesso ao processo, mas que nunca lhe foi facultado, recusando comentar elementos que diz não conhecer.
Nas interceções agora conhecidas, Lacerda Machado refere que o projeto está com uma "dinâmica extraordinária" e que os americanos vão finalmente investir em Sines. Costa responde, segundo os excertos divulgados, que é positivo que haja entusiasmo, numa altura em que o ambiente europeu em relação aos investidores norte-americanos é descrito como diversificado.
Impacto político e judicial do caso
De acordo com a informação divulgada pela TVI/CNN, a Polícia Judiciária tem na sua posse uma escuta alegadamente ocorrida na véspera de Natal de 2022, quando o consultor contacta o então primeiro-ministro para lhe transmitir desenvolvimentos sobre o centro de dados de Sines e uma comunicação anterior a Vítor Escária, então chefe de gabinete.A Operação Influencer centra suspeitas criminais ligadas à construção de um centro de dados em Sines, à exploração de lítio em Montalegre e Boticas e à produção de energia a partir de hidrogénio também em Sines. Em 7 de novembro de 2023, cinco pessoas foram detidas e posteriormente libertadas no âmbito da investigação, incluindo Vítor Escária.
O processo levou à queda do Governo liderado por António Costa, que foi considerado suspeito sem chegar a ser constituído arguido. A nova divulgação das escutas reabre o escrutínio sobre as declarações públicas do antigo chefe do executivo e mantém o caso no centro do debate político e institucional em Portugal.
Na nossa cobertura anterior sobre os investimentos da Galp em Sines, destacámos que a empresa reforçou a aposta no complexo industrial com projetos de hidrogénio verde e biocombustíveis, com entrada em operação prevista para 2026. Nesse enquadramento, assinalámos também que os resultados trimestrais impulsionaram a ação e deram suporte ao PSI, enquanto o mercado acompanhava de perto a execução do calendário dos projetos em Sines.
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