BPCE reforça aposta em Portugal após compra do Novo Banco e projeta expansão no seguro
A entrada da BPCE no mercado português ganha uma nova dimensão após a conclusão da compra do Novo Banco em abril e com a expansão das operações da Natixis em Loures. O grupo francês passa a tratar Portugal como o seu segundo mercado estratégico, com planos de contratação, aumento do crédito e possível reforço na área de seguros.
Destaques
- BPCE concluiu a aquisição de 100% do Novo Banco em 30 de abril de 2026, numa operação avaliada em 6,7 mil milhões de euros.
- Natixis planeja aumentar a força de trabalho em Portugal de 3.300 para 4.000 empregados nos próximos 24 a 30 meses, focando transformação digital e fintech.
- BPCE quer replicar o modelo francês de bancassurance em Portugal, podendo ampliar receitas e consolidar oferta de seguros caso venha adquirir a GamaLife.
Expansão bancária e tecnológica em Portugal
A ThePortugalPost, a BPCE apresentou Portugal como o seu segundo mercado estratégico durante a inauguração do novo centro de competências da Natixis em Moscavide, no concelho de Loures. Nicolas Namias, presidente executivo do Groupe BPCE, afirmou que a aquisição do Novo Banco dá ao grupo maior escala no país e permite criar uma plataforma bancária mais ampla para apoiar a economia portuguesa.O grupo concluiu em 30 de abril de 2026 a compra de 75% do Novo Banco ao fundo norte-americano Lone Star e dos restantes 25% ao Estado português, numa operação avaliada em 6,7 mil milhões de euros, segundo o texto de origem. A BPCE indica que o banco continuará a ser gerido localmente e manterá autonomia operacional, com o atual presidente executivo do Novo Banco, Mark Bourke, a permanecer em funções.
A Natixis, que já emprega cerca de 3.300 pessoas em Portugal, quer atingir 4.000 trabalhadores no país nos próximos 24 a 30 meses, distribuídos entre Porto e Lisboa. O novo polo em Lisboa deverá concentrar atividades ligadas à transformação digital, cibersegurança e tecnologia financeira voltada para clientes, enquanto o centro do Porto mantém funções em desenvolvimento informático, análise de dados e operações de retaguarda.
O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, classificou o investimento como importante para o país e como sinal de confiança na economia portuguesa. Também marcaram presença na cerimónia o secretário de Estado do Orçamento, José Maria Brandão de Brito, e o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas.
Crédito, seguros e impacto no mercado português
A estratégia da BPCE em Portugal vai além da integração do Novo Banco e inclui a replicação do modelo francês de bancassurance, que combina produtos bancários e de seguros. Namias não confirmou negociações específicas sobre a GamaLife, mas disse que o grupo quer desenvolver em Portugal a mesma capacidade que já tem em França para criar soluções de seguro para clientes bancários.Uma eventual compra da GamaLife reforçaria esse plano, porque a seguradora mantém acordos exclusivos de distribuição com o Novo Banco até 2039. Ao controlar produção e distribuição, a BPCE poderia ampliar receitas com comissões e consolidar a oferta de seguros de vida, proteção patrimonial e produtos de investimento através da rede bancária.
O grupo também diz que pretende expandir o financiamento a pequenas e médias empresas, grandes empresas e clientes institucionais. A maior escala do balanço da BPCE poderá dar ao Novo Banco acesso a financiamento mais competitivo, com potencial efeito nas condições de crédito para empresas ligadas ao comércio entre Portugal e França.
Do ponto de vista setorial, a operação reforça a consolidação da banca em Portugal e aumenta a pressão concorrencial sobre bancos e seguradoras independentes. A aposta também expõe a confiança da BPCE no crescimento da economia portuguesa, na evolução do crédito de taxa variável e na capacidade do país para atrair investimento estrangeiro de maior valor acrescentado.
Na nossa análise anterior sobre o abrandamento do crescimento do PIB português no 1.º trimestre de 2026, destacámos que a economia avançou em termos homólogos, mas ficou estagnada em cadeia, com a procura interna a ser sustentada pelo investimento ligado ao PRR. Também sublinhámos que a desaceleração do consumo das famílias e a subida dos custos de energia aumentam os riscos para 2026, apesar de o país continuar a atrair investimento direto estrangeiro, sobretudo para imobiliário, tecnologia e energias renováveis.
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