Banco de Portugal defende ação mais rápida do BCE perante risco inflacionista

Banco de Portugal defende ação mais rápida do BCE perante risco inflacionista
Banco Portugal alerta BCE

O agravamento do conflito no Médio Oriente está a reforçar a pressão sobre os preços da energia e a aumentar a preocupação das autoridades monetárias com efeitos mais amplos na inflação. Para o governador do Banco de Portugal, uma resposta antecipada do Banco Central Europeu pode ser necessária se o choque se prolongar e contaminar salários e outros preços.

Destaques

  • Álvaro Santos Pereira alerta que o Banco Central Europeu deve atuar rapidamente caso a inflação persista devido ao prolongamento do conflito no Médio Oriente.
  • O encerramento do estreito de Ormuz já afeta a oferta de gás, petróleo e fertilizantes, pressionando preços da energia e podendo gerar aumentos generalizados.
  • O governador do Banco de Portugal afirma que a inflação é o principal risco imediato, e destaca o investimento em inteligência artificial como atenuante do impacto económico do choque energético.

Pressão energética reforça alerta do banco central

Como relatado pelo Jornal de Negócios, Álvaro Santos Pereira afirma que as próximas decisões do Banco Central Europeu dependem em grande medida da duração esperada do conflito no Médio Oriente. O governador do Banco de Portugal considera que, perante a continuação da subida dos preços, vale mais atuar mais cedo do que mais tarde para evitar um agravamento dos efeitos inflacionistas.

Segundo o responsável, o encerramento do estreito de Ormuz afeta a distribuição de gás natural e de petróleo, ao mesmo tempo que limita a oferta na distribuição de fertilizantes. Esse choque tem efeitos imediatos nos preços da energia e pode ainda gerar efeitos de segunda ordem, com transmissão gradual ao resto dos preços da economia.

Álvaro Santos Pereira diz que o BCE deve acompanhar o impacto sobre energia, matérias e salários, avaliando se a pressão está a passar para outros bens e serviços. Se esses efeitos forem significativos e prolongados, acrescenta, é natural que a inflação se mantenha elevada durante mais tempo e exija uma atuação mais rápida e decisiva.

Inflação preocupa mais do que travagem económica

O governador afirma estar mais preocupado com a inflação do que com uma desaceleração significativa da economia, afastando neste contexto um cenário de estagflação como o que já foi defendido por outros responsáveis de bancos centrais da Zona Euro. A sua avaliação sugere que o principal risco imediato para a política monetária está na persistência da subida dos preços, e não numa quebra abrupta da atividade.

Na mesma entrevista, Álvaro Santos Pereira aponta a inteligência artificial como um fator que está a sustentar o investimento em vários países e a atenuar parte do impacto económico do choque energético. Na sua leitura, sem o impulso gerado pela atual vaga de investimento associada à IA, as consequências do aumento dos custos energéticos seriam mais severas para a economia.

Na nossa matéria anterior sobre a inflação em Portugal e na Zona Euro em maio, destacámos que a taxa homóloga se manteve em 3,3%, com a energia a continuar a ser o principal foco de pressão sobre as famílias. Também assinalámos que o BCE revia em alta as projeções de inflação devido aos preços do petróleo acima do esperado e que os mercados reforçavam as apostas numa subida de 25 pontos base, com potenciais efeitos nos custos de crédito e no investimento.

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