Turismo em Portugal abranda em abril, procura externa compensa recuo das viagens internas
O turismo em Portugal regista um crescimento moderado em abril de 2026, num mês em que a procura estrangeira sustenta a atividade enquanto as viagens dos residentes recuam. Os dados também mostram perda de ritmo nas receitas e um desempenho abaixo da média da União Europeia no arranque do ano.
Destaques
- Portugal registou 7,3 milhões de dormidas em abril, alta de 0,6% homóloga, impulsionada por estrangeiros (+1,2%) e queda de residentes (-1%).
- As receitas totais do alojamento subiram 5,2% para 600,7 milhões de euros, mas mostram desaceleração face ao crescimento de 6,1% em março.
- Grande Lisboa concentrou 30,8% das receitas do país, Alentejo liderou expansão (+8,4%), enquanto a estada média caiu 1,8% e região Centro recuou 8,7%.
Dados de abril mostram desaceleração
Como informou o Instituto Nacional de Estatística, Portugal soma 7,3 milhões de dormidas em abril, mais 0,6% em termos homólogos face a abril de 2025, com as dormidas de não residentes a subirem 1,2% para 5,2 milhões e as reservas de residentes portugueses a caírem 1%.As receitas totais do alojamento atingem 600,7 milhões de euros, numa subida homóloga de 5,2%, enquanto as receitas de aposento avançam 4% para 453,1 milhões de euros. Ainda assim, ambos os indicadores desaceleram face a março, quando os crescimentos tinham sido de 6,1% e 5,6%, respetivamente.
O efeito de calendário da Páscoa pesa na leitura mensal. Em 2026, a celebração ocorre no fim de março, antecipando parte das viagens domésticas e regionais e deixando abril com uma base comparativa mais fraca.
Entre os mercados emissores, o UK mantém a maior fatia, com 925 mil dormidas e 17,8% do total, apesar de uma queda de 0,5%. A Alemanha sobe 4,5% para 617 mil dormidas e os visitantes dos U.S. crescem 6,5% para 507 mil, enquanto Canadá, Países Baixos e Brasil apresentam ritmos mais fortes; Itália recua 9,7%.
Pressão regional e dependência externa
Os dados regionais mostram trajetórias distintas no país. O Alentejo lidera a expansão das dormidas, com um aumento de 8,4%, e o Norte cresce 4,1%, ao passo que a Grande Lisboa concentra 30,8% das receitas nacionais de alojamento e absorve 1,5 milhões de dormidas, cerca de 20,3% do total.Albufeira regista a maior subida percentual entre as principais cidades, com um avanço de 8,5% para 729,3 mil dormidas, e o Porto cresce 3,6% para 615,7 mil. Em contrapartida, a região Centro cai 8,7%, e Oeste, Vale do Tejo, Península de Setúbal, Açores e Madeira também recuam, enquanto Lisboa e Algarve apresentam ganhos modestos de 1,5% e 0,9%.
A queda de 1% nas dormidas dos residentes surge como um dos sinais mais sensíveis para o setor, ao reduzir o suporte da procura interna em meses intermédios como abril, maio, outubro e novembro. A estada média desce 1,8%, para 2,46 noites, sugerindo menor permanência e maior pressão sobre preços em alguns destinos, embora o Alentejo consiga converter a subida da ocupação num crescimento de 10,6% das receitas.
No contexto europeu, as dormidas em alojamentos turísticos na União Europeia sobem 4,3% no primeiro trimestre de 2026, para 471,1 milhões, acima do ganho de 1,4% registado por Portugal no mesmo período. Para 2026, a hotelaria portuguesa antecipa crescimento de 2,5% nos hóspedes, 1,7% nas dormidas e 3% nas receitas, ao mesmo tempo que o Turismo de Portugal reforça a aposta em mercados como Brasil, Coreia do Sul, Japão e México.
O crescimento do turismo de cruzeiros na Madeira marcou o arranque do ano, com cerca de 324 mil passageiros e 129 escalas entre janeiro e março, reforçando um impacto económico anual estimado em 63 milhões de euros. O texto sublinhou a predominância de visitantes europeus — com os alemães na liderança — e o aumento de escalas com dormida no Funchal, ao mesmo tempo que apontou para a necessidade de investir em infraestruturas e gerir riscos de congestionamento e excesso de turismo.
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