Petróleo sobe com ataques dos EUA ao Irã e retorno dos temores sobre Hormuz

Petróleo sobe com ataques dos EUA ao Irã e retorno dos temores sobre Hormuz
Risco em Hormuz eleva o Brent após ataques dos EUA ao Irã

Os Estados Unidos lançaram uma nova onda de ataques contra alvos iranianos, reativando temores de mais uma ameaça aos fluxos de energia através de Hormuz. O petróleo Brent reagiu imediatamente à escalada do conflito e subiu acima de US$ 95 por barril.

Destaques

  • Os EUA lançaram uma segunda onda consecutiva de ataques contra alvos iranianos.
  • O petróleo Brent subiu acima de US$ 95 por barril.
  • A mídia ligada ao Irã afirmou que o Estreito de Hormuz foi fechado, enquanto autoridades dos EUA contestaram a alegação.
  • O mercado está focado no risco de navegação, custos de seguro e trânsitos às escuras.

Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.

De acordo com a Bloomberg, o Comando Central dos EUA informou que os ataques começaram na noite de quarta-feira em Nova York e foram concluídos várias horas depois. Os alvos incluíram sistemas de vigilância iranianos, locais de defesa aérea e redes de comunicações que Washington afirmou representarem uma ameaça às forças dos EUA e à navegação comercial em águas regionais. A operação mais recente seguiu-se a ataques anteriores dos EUA após a queda de um helicóptero Apache americano perto do Estreito de Hormuz.

Alegações sobre Hormuz impulsionam risco do petróleo

A principal preocupação do mercado de petróleo continua sendo o Estreito de Hormuz, a estreita via marítima que liga o Golfo Pérsico aos mercados globais. A mídia estatal iraniana, citando o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, afirmou que o estreito foi fechado para todas as embarcações, incluindo navios comerciais. A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã também alegou ter atingido dois navios que tentavam passar pela área.

Autoridades dos EUA contestaram a alegação de fechamento do Irã, afirmando que o tráfego comercial ainda estava se movendo pelo estreito. Os relatos conflitantes deixaram os traders menos focados em perdas de oferta confirmadas e mais no risco de que os custos de seguro, atrasos de embarcações e trânsitos às escuras possam apertar o mercado, mesmo sem um bloqueio formal. Os contratos futuros de petróleo subiram à medida que as tensões no Oriente Médio aumentaram, com o Brent avançando enquanto os investidores reavaliavam os riscos de interrupção no fornecimento.

Os fluxos de petróleo e GNL através de Hormuz já foram interrompidos desde que o conflito se ampliou no início deste ano. Alguns produtores utilizaram trânsitos às escuras para movimentar cargas, enquanto movimentos recentes de petroleiros sugerem que o Catar e os Emirados Árabes Unidos conseguiram enviar mais carregamentos de gás natural liquefeito para fora do Golfo.

Tensões no cessar-fogo se aprofundam

A troca de ataques mais recente sugere que o cessar-fogo de abril está prestes a entrar em colapso, mesmo que Washington e Israel não tenham retornado à intensa campanha de bombardeios vista anteriormente no conflito. O presidente Donald Trump acusou o Irã de atrasar as negociações sobre um acordo de paz interino, enquanto autoridades iranianas negaram conversas diretas com ele e alertaram que o país está preparado para novos ataques.

Para os mercados de energia, a distinção entre ataques limitados e uma campanha mais ampla importa menos a cada escalada. Cada novo ataque aumenta a chance de que empresas de navegação, seguradoras e traders de commodities precifiquem uma interrupção mais longa.

Preços de energia retornam à pauta da inflação

A reação do mercado mostra por que Hormuz continua sendo central para as perspectivas de inflação global. Antes da guerra, o estreito registrava cerca de 135 trânsitos de embarcações por dia e transportava uma parcela importante dos carregamentos globais de petróleo e GNL. Embora o petróleo Brent tenha caído para cerca de US$ 93 por barril no momento desta redação, ele permanece alto o suficiente para pressionar os preços dos combustíveis, as margens de lucro domésticas e os preços ao consumidor.

Se o tráfego através de Hormuz se tornar menos previsível, o petróleo poderá permanecer volátil mesmo sem um fechamento total. Isso complicaria a política dos bancos centrais em um momento em que os preços da energia já estão alimentando a inflação e os mercados debatem se o Federal Reserve voltará a apertar a política monetária este ano.

Foi relatado anteriormente que o petróleo saltou para US$ 93 após os EUA e o Irã trocarem ataques.

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