Porto de Lisboa-Setúbal avança com venda da participação pública na Silotagus
No quadro do plano Portos 5+, o Porto de Lisboa-Setúbal prepara o concurso para alienar a participação pública na Silotagus, concessionária dos terminais de granéis alimentares da Trafaria e do Beato. A operação insere-se na reorganização de um processo iniciado em 2001 e abrange infraestruturas consideradas estratégicas para o abastecimento nacional de cereais e matérias-primas agroalimentares.
Destaques
- O Porto de Lisboa-Setúbal vai avançar com a venda da participação pública na Silotagus, contratando estudos para estruturar um concurso competitivo e transparente.
- O contrato de concessão com a Silotagus, assinado em outubro de 2025 e com duração até 2055, abrange operação dos terminais e silos de granéis alimentares da Trafaria e do Beato.
- A alienação insere-se na estratégia de valorização dos ativos portuários e logísticos nacionais, reforçando sustentabilidade, eficiência e competitividade da cadeia de abastecimento alimentar portuguesa.
Concurso apoia nova fase da concessão
Como adiantou o Porto de Lisboa-Setúbal em comunicado, a administração vai contratar estudos especializados para suportar a preparação do concurso de alienação da participação na Silotagus. Esses trabalhos devem analisar cenários de evolução da atividade, condições de mercado, enquadramento regulatório e mecanismos de proteção do interesse público, com o objetivo de estruturar um processo competitivo e transparente.A administração indica que pretende definir o modelo mais adequado para o futuro da empresa, preservando o papel estratégico destas infraestruturas no abastecimento nacional. O processo remonta a 2001 e foi retomado pelo Governo no âmbito do plano Portos 5+.
Em outubro de 2025, o Porto de Lisboa-Setúbal e a Silotagus assinaram um contrato de concessão de serviço público para a exploração dos terminais de granéis alimentares da Trafaria e do Beato e dos respetivos silos. O contrato tem uma duração base de 30 anos e termina, em regra, em 30 de junho de 2055.
No âmbito dessa concessão, a Silotagus fica responsável pela receção, movimentação, armazenagem, expedição, transporte e serviços acessórios de granéis alimentares e produtos conexos nos terminais e silos abrangidos. A nova etapa de preparação do concurso surge assim depois da formalização do quadro de exploração de longo prazo destes ativos.
Impacto na logística alimentar e na economia
Os terminais operados pela Silotagus, localizados no Porto de Lisboa, são descritos pela administração como uma peça essencial da cadeia logística alimentar portuguesa. Segundo a mesma entidade, estas infraestruturas asseguram a receção, o armazenamento e a distribuição de produtos fundamentais para a indústria agroalimentar e para a segurança do abastecimento do país.Citado no comunicado, o presidente do Conselho de Administração do Porto de Lisboa-Setúbal, Vítor Caldeirinha, afirma que a iniciativa se enquadra na estratégia de valorização dos ativos portuários e logísticos nacionais. Na sua avaliação, a medida contribui para reforçar a eficiência das cadeias de abastecimento e a competitividade da economia portuguesa.
A administração acrescenta que o avanço deste processo visa garantir a sustentabilidade e o desenvolvimento futuro de uma infraestrutura considerada estratégica para a segurança alimentar e para o funcionamento da economia nacional. O porto sustenta ainda que este passo é decisivo no processo de liquidação da Silopor, retomado pelo Governo, e numa medida central do plano Portos 5+ para o reordenamento e a requalificação dos terminais da zona oriental de Lisboa.
Na nossa publicação, analisámos como Portugal tem procurado reforçar a sua competitividade na localização industrial, com destaque para o papel da energia e para a capacidade de atração de investimento no pós-pandemia. Nesse contexto, sublinhámos também a relevância do Porto de Sines para as exportações e importações industriais e a criação da nova Alfândega de Sines, prevista para iniciar operações a 1 de janeiro de 2027, como um passo para apoiar o dinamismo logístico e comercial do país.
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