Miranda Sarmento critica subida de juros do BCE no contexto da crise no Médio Oriente
A nova subida das taxas de juro pelo Banco Central Europeu volta a marcar o debate económico europeu num contexto de pressões inflacionistas associadas à guerra no Médio Oriente. O ministro das Finanças defende que o atual choque difere da crise energética de 2022 e considera que o sinal dado ao mercado podia ter sido evitado.
Destaques
- O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, considerou desnecessária a recente subida das taxas de juro pelo BCE, apesar das preocupações com a inflação.
- Miranda Sarmento destacou que a atual crise difere significativamente da de 2022, com níveis de inflação e juros do BCE distintos do contexto pós-invasão da Ucrânia.
- A cautela do Governo português sublinha os riscos do aperto monetário do BCE, num contexto de instabilidade geopolítica que afeta preços e atividade económica na zona euro.
Posição do Governo sobre a decisão do BCE
Como noticiou o Jornal de Negócios, Joaquim Miranda Sarmento afirmou esta quinta-feira, no Luxemburgo, que a subida das taxas de juro anunciada pelo BCE "não era absolutamente necessária", apesar de reconhecer a preocupação da autoridade monetária com a inflação e de sublinhar o respeito pela sua independência e mandato.À chegada à reunião do Eurogrupo, o ministro das Finanças disse aos jornalistas portugueses que o banco central europeu teve uma intervenção muito importante em 2022, durante a anterior crise energética, mas sustentou que a situação atual é distinta. Na sua leitura, o BCE opta por dar um primeiro sinal ao mercado, embora os próximos meses sejam determinantes para avaliar a evolução do quadro económico.
Diferenças face à crise de 2022
Miranda Sarmento argumenta que a atual crise tem características diferentes da vivida em 2022, quando a invasão russa da Ucrânia contribuiu para máximos de inflação. Segundo o ministro, o enquadramento é hoje diferente tanto do ponto de vista da inflação como do nível das taxas de juro do próprio banco central.A posição do governante sugere uma leitura mais cautelosa sobre o aperto monetário num momento em que os governos da área do euro acompanham o impacto da instabilidade geopolítica nos preços e na atividade económica. O tema mantém relevância para empresas e mercados, dada a influência direta dos juros nos custos de financiamento e no investimento.
Na nossa publicação, analisámos a expectativa de que o Banco Central Europeu voltasse a subir as taxas de juro pela primeira vez desde 2023, perante uma inflação na zona euro novamente acima da meta, impulsionada pelos preços da energia e pela persistência dos serviços. O texto destacava ainda o dilema entre conter as pressões inflacionistas e evitar agravar o abrandamento económico, num contexto em que os mercados aguardavam sinais sobre a trajetória futura dos juros.
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