Portugal destaca vantagem energética na corrida europeia pelos data centers
Portugal surge como um dos mercados europeus mais bem posicionados para captar investimento em data centers, num contexto de procura acelerada por capacidade digital ligada à inteligência artificial e à expansão da conectividade. A combinação de energia renovável, cabos submarinos e talento é apontada como trunfo competitivo, mas os licenciamentos e o reforço da rede elétrica continuam a ser obstáculos centrais.
Destaques
- Portugal destaca vantagens competitivas nos data centers devido a mais de 71% de geração de energia renovável e acesso a cabos submarinos.
- O Governo aprovou em março o Plano Nacional de Centros de Dados, com 40 pedidos de instalação e meta de transformar o país em hub europeu.
- A estimativa é de quase 3 mil milhões de euros de impacto no PIB até 2030, crescimento anual de 22% e criação de 9.000 empregos, mas há dúvidas quanto à execução efetiva.
Vantagens competitivas e entraves ao investimento
Como adiantou o Jornal de Negócios, António Ramalho e Gonçalo Moura Martins defendem que Portugal reúne condições favoráveis para atrair projetos de data centers, mas alertam que a resposta do país tem de ser mais rápida para acompanhar investidores globais. As declarações foram feitas no 56.º episódio do podcast Partida de Xadrez, divulgado esta segunda-feira.Ramalho afirma que a nova economia da ligação e mobilidade dos dados exige segurança, energia renovável e refrigeração, fatores em que Portugal parte com vantagens claras no contexto europeu. Ainda assim, sustenta que o país mantém dificuldades por resolver e que os investidores deste setor não esperam por processos demorados nem por bloqueios administrativos.
Moura Martins considera que Portugal tem condições muito apropriadas para o desenvolvimento de centros de dados, apoiado num índice de geração de energia renovável superior a 71% e no acesso a cabos submarinos em grande escala. Para o gestor, essas vantagens só se traduzem em investimento efetivo se houver burocracia adequada e se o reforço das infraestruturas elétricas avançar finalmente.
Plano governamental e impacto económico esperado
Em março, o Governo aprovou o Plano Nacional de Centros de Dados com o objetivo de tornar Portugal um hub europeu atrativo para este tipo de investimento, aproveitando a expansão rápida da procura e os constrangimentos nos mercados tradicionais. Segundo o Executivo, existem 40 pedidos de instalação de data centers no país.Os dois gestores apontam a energia, a conectividade e o talento como pilares da proposta portuguesa, mas sublinham que ainda falta criar condições no licenciamento e no acesso à energia. Moura Martins defende que será necessário aumentar tanto a capacidade de geração como a de transmissão, numa altura em que o consumo elétrico cresce com a mobilidade elétrica e com a digitalização da economia.
Ramalho acrescenta que a burocracia estrutural do país precisa de ser resolvida para que Portugal não perca uma oportunidade rara numa concorrência internacional cada vez mais intensa. Já Moura Martins mostra reservas sobre a execução do plano oficial, salientando que a projeção de quase 3 mil milhões de euros de impacto no PIB até 2030, crescimento anual de 22% e criação de 9.000 empregos não é acompanhada, na sua leitura, por medidas concretas suficientes para garantir esse resultado.
Os entraves locais a grandes projetos de energia renovável em Portugal têm vindo a atrasar, travar ou obrigar à reformulação de empreendimentos eólicos e solares, aumentando a incerteza sobre quando haverá nova capacidade disponível. Na nossa publicação, já salientámos que essa imprevisibilidade pode minar uma das principais vantagens do país — eletricidade limpa e competitiva — e tornar mais difícil atrair investimentos industriais intensivos em consumo elétrico.
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