Incêndio em Loulé mantém EN2 cortada e testa resposta operacional no Algarve
O incêndio rural que começou na terça-feira em Besteiros, na freguesia de Ameixial, entra sob controlo após operações noturnas intensas na serra de Loulé. O fogo provoca quatro feridos ligeiros entre bombeiros, danifica parcialmente uma habitação secundária e mantém encerrada a EN2 nos dois sentidos em Besteiros.
Destaques
- O incêndio na Serra do Caldeirão foi dominado às 4h00 de quarta-feira, após consumir até 90 hectares por hora durante o pico.
- A EN2 permanece cortada em Besteiros, afetando o tráfego local e comercial, com danos parciais registados apenas numa casa secundária desocupada.
- Municípios algarvios alocam mais de 1 milhão de euros ao Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais para 2026, prevendo 1.200 operacionais e novos planos de prevenção.
Operação de combate e estabilização do incêndio
Como noticiou o The Portugal Post, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil coloca o incêndio sob domínio pelas 4h00 de quarta-feira, após uma janela meteorológica mais favorável durante a madrugada. A descida do vento e a subida da humidade relativa para perto de 80% permitem consolidar linhas de contenção numa frente que ameaçava habitações dispersas na Serra do Caldeirão.No pico da ocorrência, Abel Gomes, comandante regional adjunto de Emergência e Proteção Civil do Algarve, indica a existência de duas frentes ativas com intensidade significativa. A frente esquerda, na direção de Vermelhos, apresenta condições mais favoráveis ao controlo, enquanto a frente direita, a leste de Ameixial, concentra os maiores meios devido ao risco de progressão com a mudança do vento.
Segundo o responsável, o fogo avança inicialmente a cerca de 1.000 metros por hora e consome até 90 hectares por hora no momento de maior expansão. A projeção de partículas incandescentes a mais de 500 metros da frente de chamas dificulta o trabalho terrestre, num terreno acidentado que limita a capacidade de resposta imediata das equipas.
Às 6h30, permanecem no teatro de operações 348 operacionais, apoiados por 123 viaturas e 10 máquinas de rasto. Os meios aéreos, que chegam a 12 aparelhos durante o período mais crítico de terça-feira, regressam ao amanhecer para reconhecimento e ataque a reacendimentos.
Impacto na mobilidade, no território e na época de incêndios
A EN2 continua encerrada nos dois sentidos em Besteiros, condicionando a ligação entre o litoral algarvio e o interior e obrigando a desvios para residentes e tráfego comercial. As autoridades indicam que não há aldeias em risco imediato após o amanhecer, mas mantêm o apelo à vigilância devido à dispersão de habitações na zona montanhosa.Os quatro bombeiros feridos sofrem lesões ligeiras, incluindo traumatismos e uma queda durante as operações noturnas, tendo recebido assistência hospitalar. Uma casa secundária desocupada em Besteiros regista danos parciais depois de brasas entrarem pela cobertura e incendiarem duas divisões, sem indicação de mais habitações afetadas até ao momento.
O episódio reforça a pressão sobre a época de incêndios no sul do país, num contexto de temperaturas mais elevadas e vegetação seca. Os municípios algarvios destinam mais de 1 milhão de euros ao Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais para o período crítico de 2026, entre 15 de maio e 15 de outubro, com cerca de 1.200 operacionais e reforço do apoio aos bombeiros.
No plano estrutural, a região avança com instrumentos de prevenção, incluindo um plano intermunicipal de gestão de combustível lançado em junho pela CCDR Algarve e pela AMAL. Portugal participa ainda no projeto transfronteiriço FIREPOCTEP+ com Espanha, enquanto entidades ambientais defendem uma transformação da paisagem para reduzir cargas de combustível e travar a propagação de grandes incêndios.
Na nossa publicação anterior sobre o novo Hospital Lusíadas Faro, explicámos o investimento de 60 milhões de euros do grupo para construir aquela que será a maior unidade privada do Algarve, com abertura prevista para o final de 2027. O projeto prevê tecnologia como cirurgia robótica e sistemas de inteligência artificial, cerca de 500 empregos e um aumento relevante da capacidade de consultas, cirurgias e diagnósticos, num contexto de escassez de profissionais na região.
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