Portugal agrava défice orçamental até maio com despesa a crescer acima da receita
As contas públicas portuguesas mostram uma nova deterioração nos primeiros cinco meses do ano, com o défice em contabilidade pública a subir para 1.762 milhões de euros em maio. O agravamento surge depois de abril ter interrompido quase dois anos sem saldo negativo e mantém a pressão da despesa acima do ritmo de arrecadação das receitas.
Destaques
- O défice das contas públicas de Portugal agravou-se em maio para 1.762 milhões de euros, face aos 1.548 milhões de abril.
- Cerca de 1,2 mil milhões de euros em dívidas do SNS foram regularizados após injeção extraordinária, mas mesmo sem este efeito, mantém-se um défice de 592 milhões.
- No primeiro trimestre, o défice em contabilidade nacional foi de 0,7% do PIB (510 milhões de euros), o primeiro saldo negativo inicial desde 2022.
Execução orçamental reflete pressão da saúde
Como noticiou o Jornal de Negócios, a atualização da síntese de execução orçamental publicada esta terça-feira pelo Ministério das Finanças indica que o défice das contas públicas se agrava em maio para 1.762 milhões de euros, depois de ter atingido 1.548 milhões em abril.Uma parte relevante deste resultado continua a ser explicada pela regularização de cerca de 1,2 mil milhões de euros em dívidas do SNS, após uma injeção extraordinária do Governo nas unidades de saúde ocorrida em março. O contexto inclui dificuldades de várias entidades em assegurar novos compromissos por falta de fundos disponíveis, antes das alterações à lei dos pagamentos em atraso, que reduzem os prazos de 90 para 60 dias.
Mesmo excluindo este efeito extraordinário, mantém-se um défice de 592 milhões de euros, sinalizando que o desequilíbrio não depende apenas dessa operação pontual.
Leitura económica e impacto nas contas nacionais
Os dados agora apurados dizem respeito à contabilidade pública e não têm impacto direto nas contas nacionais. Ainda assim, reforçam o sinal de deterioração orçamental já visível no arranque do ano.Antes desta atualização, o Instituto Nacional de Estatística apurou para o primeiro trimestre um défice de 0,7% do PIB, equivalente a 510 milhões de euros, em contabilidade nacional. Esse foi o primeiro saldo negativo num início de ano desde 2022, enquanto os ajustamentos às contas nacionais não incorporam o efeito da regularização extraordinária de dívidas, por se tratar de compromissos reportados a período anterior.
Na nossa publicação anterior, analisámos a descida das yields da dívida portuguesa e o estreitamento do spread face à Bund, num contexto em que as decisões do BCE continuavam a influenciar os mercados obrigacionistas. Também destacámos o impacto desigual da Euribor no crédito à habitação, com prestações ainda sensíveis à volatilidade das taxas apesar do alívio do risco soberano.
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