Parlamento é instado a manter controlo do TdC sobre empresas públicas concorrenciais

Parlamento é instado a manter controlo do TdC sobre empresas públicas concorrenciais
Controlo público em debate

A revisão das regras de fiscalização da despesa pública pelo Tribunal de Contas está a suscitar reservas sobre o alcance do controlo sobre empresas públicas que atuam em mercados concorrenciais. Em audição parlamentar, Vítor Caldeira defendeu que esse mandato não deve ser reduzido, apontando a TAP como exemplo da relevância desse escrutínio.

Destaques

  • Vítor Caldeira defendeu que empresas públicas em regime concorrencial não devem ser excluídas do controlo do Tribunal de Contas na proposta do Governo.
  • A proposta de lei isenta empresas públicas com maioria privada ou gestão privada em concorrência internacional do controlo financeiro pelo TdC.
  • Vítor Caldeira destacou que o parlamento deve manter o direito de solicitar auditorias específicas, citando o caso da privatização da TAP.

Debate sobre a proposta de revisão

Como noticiou o Jornal de Negócios, o ex-presidente do Tribunal de Contas, Vítor Caldeira, defendeu esta quinta-feira, no parlamento, que as empresas públicas que operam em mercado concorrencial não devem ficar fora da esfera de controlo da instituição.

Na audição na comissão da reforma do Estado e poder local, sobre a proposta de lei do Governo para rever as regras de fiscalização da despesa pública pelo TdC, o juiz conselheiro afirmou ser necessário não diminuir o mandato do tribunal nesta área. Caldeira referia-se à norma prevista na proposta do executivo segundo a qual não estão sujeitas à jurisdição e ao controlo financeiro do Tribunal de Contas as empresas do setor público empresarial do Estado que operem em mercado de concorrência internacional e nas quais o acionista privado seja maioritário ou, sendo minoritário, detenha direitos de gestão por acordo parassocial ou disposição estatutária.

Impacto para a supervisão de empresas públicas

Em resposta às perguntas dos deputados sobre alterações possíveis ao diploma, Vítor Caldeira recordou que uma das últimas auditorias pedidas ao Tribunal de Contas durante o seu mandato, que terminou em 2020, incidiu sobre o processo de privatização da TAP. Com esse exemplo, sustentou que o parlamento deve continuar a poder solicitar auditorias específicas à instituição.

O antigo responsável do TdC, antecessor de Filipa Urbano Calvão, sublinhou ainda que a defesa da manutenção destas empresas na esfera de fiscalização não se refere ao controlo prévio. Segundo explicou, as empresas públicas podem continuar a ter um regime de fiscalização prévia diferente da regra geral, preservando-se, ainda assim, outras modalidades de controlo financeiro.

Na nossa publicação anterior sobre a auditoria do Banco de Portugal às compras informáticas, explicámos que a instituição decidiu rever mais de mil contratos de bens e serviços de tecnologia realizados ao longo dos últimos 11 anos. O trabalho, adjudicado à consultora Eternamix Consulting, visa detetar eventuais irregularidades e produzir um relatório detalhado, num processo desencadeado após buscas da Polícia Judiciária relacionadas com contratos informáticos.

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