Lisboa reformula iluminação de Natal e adjudica contrato de 2026 por 556 mil euros
Após a operação judicial que expôs suspeitas sobre o modelo anterior, Lisboa avança para a campanha de iluminação de Natal de 2026 com um novo empreiteiro e um processo de contratação concorrencial. A mudança transfere a gestão para a Associação Turismo de Lisboa e coloca em teste a capacidade do novo sistema de reduzir custos sem alterar a escala do evento.
Destaques
- Lisboa adjudicou o contrato das iluminações de Natal de 2026 à Iluminações Teixeira Couto por 556.272 euros, abaixo dos 750 mil euros habituais.
- A responsabilidade pelo projeto passou da UACS para a Associação Turismo de Lisboa, financiada pelo Fundo de Desenvolvimento Turístico, após investigação sobre alegada corrupção.
- A troca de gestão prioriza a experiência turística sobre o apoio ao comércio local, podendo alterar a distribuição e prioridades das instalações luminosas.
Novo modelo de contratação e financiamento
Como noticiou o The Portugal Post, a reestruturação do modelo das iluminações de Natal de Lisboa ganha forma depois de a Câmara Municipal de Lisboa ter cortado o protocolo que durante 14 anos deu à UACS controlo exclusivo sobre este programa. A mudança surge na sequência da Operação Lúmen, lançada pela Polícia Judiciária em março de 2025, que investiga alegados esquemas de corrupção ligados à escolha de fornecedores e ao financiamento histórico da iniciativa.Segundo o texto, a autarquia aprovou em maio a transferência da responsabilidade para a Associação Turismo de Lisboa, que passa a gerir o projeto com verbas do Fundo de Desenvolvimento Turístico, alimentado pela taxa turística cobrada nas dormidas. Em vez de uma renovação protocolar, o município adota um concurso público para o desenho, fornecimento, montagem, operação e desmontagem das iluminações.
O concurso recebeu duas propostas e foi ganho pela Iluminações Teixeira Couto, empresa sediada em Paredes, por 556.272 euros. O valor fica abaixo dos cerca de 750 mil euros que vinham sendo associados aos últimos anos, enquanto o caderno de encargos mantém uma abrangência técnica semelhante à do modelo anterior.
O processo judicial continua em curso e envolve, entre outros suspeitos, Carla Salsinha, ligada à presidência da UACS, e Alberto Laplaine Guimarães, antigo responsável administrativo da Câmara de Lisboa. Ambos negam irregularidades, mas o impacto político foi suficiente para forçar a autarquia a mudar o modelo de governação e contratação das iluminações.
Impacto no comércio, turismo e gestão urbana
A descida do valor adjudicado abre espaço a interpretações distintas para o mercado local. Por um lado, pode refletir maior eficiência e concorrência real num concurso aberto; por outro, mantém dúvidas sobre se os custos dos anos anteriores estavam inflacionados ou se a execução de 2026 acabará por traduzir uma instalação menos ambiciosa, algo que ainda não foi sinalizado publicamente.Para os comerciantes, a principal mudança não é apenas financeira, mas também estratégica. A UACS tratava as iluminações como instrumento de apoio ao comércio de proximidade, enquanto a Associação Turismo de Lisboa tende a privilegiar a experiência do visitante, a imagem urbana e a projeção mediática da cidade, o que pode alterar prioridades na distribuição dos pontos de luz entre as principais artérias e as ruas comerciais secundárias.
Se a execução decorrer como previsto, Lisboa mantém um calendário operacional semelhante ao dos anos anteriores, com montagem no final de outubro, inauguração em meados de novembro e funcionamento diário até ao início de janeiro. A continuidade visual do evento pode preservar o efeito económico esperado sobre consumo, circulação pedonal e atração turística, mas a durabilidade institucional do novo modelo ainda depende da evolução do processo judicial e da capacidade da autarquia de consolidar concursos concorrenciais como prática permanente.
Na nossa publicação anterior sobre a auditoria do Banco de Portugal a contratos de informática, destacámos que a instituição mandou rever mais de mil processos assinados entre 2015 e 2025 para identificar fragilidades e reforçar o cumprimento das regras de contratação pública. O trabalho, realizado por uma consultora externa na sequência de investigações relacionadas com suspeitas de manipulação de concursos, levou também à adoção de medidas internas para aumentar a transparência e o controlo das compras.
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