Portagens abolidas fazem Estado suportar 12 milhões por ano em tráfego estrangeiro

Portagens abolidas fazem Estado suportar 12 milhões por ano em tráfego estrangeiro
Portagens: Estado paga milhões

A eliminação de portagens em várias autoestradas do Interior e do Algarve desde janeiro de 2025 transfere para o erário público um encargo anual associado à circulação de veículos estrangeiros. O valor ronda 12 milhões de euros por ano e abrange tanto turistas como camiões de mercadorias que deixam de pagar nessas vias.

Destaques

  • Veículos estrangeiros deixarão de pagar cerca de 12 milhões de euros anuais em portagens nas autoestradas do Interior e Algarve a partir de janeiro de 2025.
  • O Estado português passará a suportar esse valor, financiando diretamente a utilização das infraestruturas por turistas e camiões estrangeiros.
  • A abolição das portagens gera um impacto direto nas contas públicas e coloca pressão adicional sobre o modelo de compensação das concessões rodoviárias.

Estimativa do custo nas autoestradas abrangidas

Como avançou o Jornal de Negócios, com base em dados da Associação Portuguesa de Concessionárias de Autoestradas e Pontes, os veículos estrangeiros deixam de pagar cerca de 12 milhões de euros por ano nas autoestradas onde as portagens foram abolidas. A medida aplica-se a um conjunto de vias do Interior e do Algarve e entra em vigor em janeiro de 2025.

Manuel Melo Ramos, presidente da APCAP, afirma que este montante corresponde a portagens que deixam de ser cobradas a turistas e a camiões de mercadorias estrangeiros. Segundo o responsável, esse valor passa a ser financiado pelo contribuinte português.

Impacto orçamental e efeito no setor rodoviário

A estimativa aponta para um efeito direto nas contas públicas, uma vez que a receita anteriormente obtida junto de utilizadores estrangeiros deixa de entrar com a abolição das cobranças. O impacto é particularmente relevante em corredores rodoviários com tráfego turístico e de mercadorias, onde a utilização por veículos de fora de Portugal tem peso significativo.

Para o setor das concessões, o dado reforça o debate sobre a repartição dos custos de utilização da infraestrutura rodoviária. A transferência deste encargo para financiamento público coloca pressão acrescida sobre o modelo de compensação das concessões e sobre a discussão em torno do custo fiscal das medidas de alívio para os utilizadores.

Na nossa análise anterior sobre a subida dos preços dos combustíveis em Portugal, detalhámos o aumento do gasóleo e da gasolina e os fatores externos que o impulsionaram, como a tensão no Médio Oriente e a volatilidade do crude. Também explicámos como estes choques se refletem imediatamente nos custos de mobilidade e logística e alimentam o debate sobre medidas fiscais de alívio e o seu peso nas contas públicas.

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