Fundação Gulbenkian lança concurso para financiar comunidades de energia em Portugal

Fundação Gulbenkian lança concurso para financiar comunidades de energia em Portugal
Gulbenkian apoia energia local

Com a criação de comunidades de energia renovável ainda limitada em Portugal, a Fundação Calouste Gulbenkian avança com um novo apoio para acelerar projetos locais de produção elétrica partilhada. A iniciativa prevê financiamento para dez comunidades e procura alargar a participação de cidadãos, cooperativas e associações na transição energética.

Destaques

  • Fundação Calouste Gulbenkian lançou o programa Comunidades de Energia Gulbenkian, com candidaturas até 16 de setembro e apoio até 30 mil euros por projeto.
  • O concurso, realizado em parceria com a Coopérnico, visa apoiar dez projetos em associações e entidades sem fins lucrativos, incluindo formação e capacitação.
  • Apesar do crescente interesse, Portugal tinha apenas 333 projetos de autoconsumo coletivo ativos e menos de dez comunidades de energia renovável licenciadas no final de 2024, devido a dificuldades de acesso a financiamento.

Apoio a dez projetos e candidaturas até setembro

Conforme noticiou o Jornal de Negócios, a Fundação Calouste Gulbenkian lança esta terça-feira o programa Comunidades de Energia Gulbenkian, destinado a associações de desenvolvimento local, cooperativas e outras entidades sem fins lucrativos com atividade em Portugal.

As candidaturas decorrem até 16 de setembro e as entidades selecionadas podem receber até 30 mil euros para implementar os respetivos projetos. A iniciativa resulta de uma parceria com a Coopérnico e inclui também formação e capacitação para reforçar a sustentabilidade das comunidades apoiadas.

Além do financiamento, as duas entidades promovem uma sessão de esclarecimento online em 21 de julho para explicar os objetivos do concurso, o funcionamento das comunidades de energia e o processo de candidatura.

Transição energética enfrenta entraves no terreno

O lançamento do concurso surge num contexto em que Portugal regista interesse crescente pela produção descentralizada de eletricidade, mas continua a avançar lentamente na formalização destas estruturas. No final de 2024, o país tinha 333 projetos de autoconsumo coletivo em funcionamento, segundo a ERSE, enquanto as comunidades de energia renovável formalmente licenciadas permanecem abaixo de uma dezena.

Entre os principais obstáculos está a dificuldade de acesso a financiamento por parte de associações locais e cidadãos interessados neste modelo. As comunidades de energia permitem produzir, consumir e partilhar eletricidade gerada localmente, normalmente com recurso a painéis solares, contribuindo para baixar custos energéticos, reforçar a autonomia dos territórios, reduzir emissões de carbono e mitigar situações de pobreza energética.

Luís Jerónimo, diretor do Programa Equidade e Sustentabilidade da Fundação Calouste Gulbenkian, considera tratar-se de uma solução com elevado potencial ainda pouco desenvolvida no país e diz que a iniciativa pretende aumentar a participação dos cidadãos nos bairros, freguesias e municípios. Também Ana Rita Antunes, coordenadora executiva da Coopérnico, defende que o concurso pode funcionar como catalisador para a expansão deste modelo em Portugal.

Na nossa publicação anterior sobre a agenda energética da semana em Portugal, acompanhámos os principais dados operacionais de Galp, EDP e EDPR e o que estes números sinalizam para o mercado. O texto também enquadrou como o custo e a disponibilidade de energia podem influenciar decisões industriais e a leitura dos investidores sobre a competitividade do país.

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