Procuradoria Europeia acusa 15 arguidos em alegada fraude com fundos do PRR para escolas em Portugal

Procuradoria Europeia acusa 15 arguidos em alegada fraude com fundos do PRR para escolas em Portugal
Fraude milionária nas escolas

Um caso ligado a contratos públicos financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência para equipamento informático e de cibersegurança coloca universidades, escolas e fornecedores sob escrutínio em Portugal. A acusação aponta para um esquema organizado que terá causado um prejuízo superior a 3,5 milhões de euros ao orçamento da União Europeia e levado à prisão preventiva de dois arguidos.

Destaques

  • A Procuradoria Europeia deduziu acusação no Porto contra 12 pessoas e três empresas por alegada fraude nos contratos PRR para equipamentos tecnológicos em escolas.
  • O prejuízo estimado para a União Europeia supera 3,5 milhões de euros, relacionados com custos artificialmente inflacionados nos contratos adjudicados à empresa favorecida.
  • Medidas de garantia patrimonial sobre bens no valor de 1,3 milhões de euros foram decretadas e dois arguidos encontram-se em prisão preventiva.

Acusação envolve contratos de tecnologia para escolas

Segundo o Jornal de Negócios, citando a Procuradoria Europeia, esta informou, em comunicado publicado na sua página oficial, que deduziu acusação no Porto contra 12 pessoas, incluindo quatro funcionários públicos, e três empresas por alegada participação num esquema fraudulento relacionado com projetos financiados pelo PRR destinados a escolas.

Segundo a entidade, estão em causa contratos públicos para a aquisição de equipamentos informáticos e de cibersegurança por uma universidade pública e um agrupamento de escolas secundárias. Embora o comunicado não identifique a instituição de ensino superior, uma fonte judicial indicou à Lusa que se trata da Universidade do Porto.

De acordo com a Procuradoria Europeia, os arguidos participam num esquema criminoso organizado e sistemático criado para obter informação privilegiada sobre contratos públicos e assegurar a adjudicação de procedimentos de contratação. A entidade acrescenta que os procedimentos de aquisição eram concebidos de forma sistemática para responder aos interesses comerciais e aos requisitos técnicos do fornecedor favorecido.

Entre os envolvidos estão, segundo fonte judicial citada pela Lusa, um pró-reitor que também é professor universitário, dois funcionários da Universidade do Porto e um docente de um agrupamento de escolas do Porto. A acusação sustenta ainda que outras empresas participaram nos concursos apenas para criar a aparência de concorrência efetiva.

Impacto financeiro e medidas patrimoniais

A Procuradoria Europeia refere que os contratos foram adjudicados a um grupo empresarial nacional e a empresas relacionadas dedicadas à importação, exportação e comercialização de equipamentos e programas informáticos, em troca de interesses privados. A alegada fraude também terá contribuído para elevar os custos de aquisição, permitindo ao fornecedor obter lucros significativamente superiores aos habituais para distribuidores e integradores de sistemas.

O prejuízo estimado para a União Europeia ultrapassa 3,5 milhões de euros, segundo a acusação. Numa fase anterior da investigação, foram decretadas medidas de garantia patrimonial sobre bens no valor de 1,3 milhões de euros para assegurar a reparação do dano estimado ao orçamento europeu.

A investigação decorre em colaboração com a Polícia Judiciária, através da secção regional de Investigação da Corrupção da Diretoria do Norte. Dois dos 15 arguidos encontram-se em prisão preventiva, a medida de coação mais gravosa.

Na nossa publicação anterior sobre a fraude bancária por telefone em Portugal, descrevemos como redes criminosas usavam smishing e chamadas falsas para recolher credenciais e códigos de autenticação e, assim, realizar pagamentos e transferências. O esquema incluía ainda técnicas de branqueamento, dispersando os montantes em plataformas de jogo online antes de os mover para contas associadas.

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