Preço do jet fuel recua com reabertura de Ormuz, mas mantém pressão sobre custos das companhias

Preço do jet fuel recua com reabertura de Ormuz, mas mantém pressão sobre custos das companhias
Jet fuel alivia custos

Com o arranque do verão e a reabertura do estreito de Ormuz, o preço médio do combustível de aviação desce face aos máximos registados após o agravamento do conflito no Médio Oriente. Ainda assim, o jet fuel continua substancialmente acima dos níveis do ano anterior, mantendo pressão sobre os custos operacionais do setor aéreo.

Destaques

  • Barril de jet fuel caiu 14,2% na semana encerrada em 19 de junho para $119,17, seguindo desaceleração global, mas ainda 32,4% acima do ano anterior.
  • Na Europa, o preço do jet fuel recuou para $120,55, menor valor desde o início da guerra no Médio Oriente, após superar $214 em março de 2026.
  • TAP elevou hedge de combustível de 40% para 47% e Galp cobre 80% da necessidade nacional via Sines, enquanto governo português reforça abastecimento com múltiplos parceiros.

Queda semanal alivia mercado de combustível

Como noticiou o Jornal de Negócios, com base em dados da S&P Global Energy citados pela IATA, o barril de jet fuel estava a ser negociado a 119,17 dólares na semana terminada a 19 de junho, uma descida de 14,2% face à semana anterior e de 24,7% em relação ao mês precedente.

Na Europa, o barril situa-se em 120,55 dólares, recuando 14,1% em cadeia semanal e 25,6% face ao mesmo período do mês anterior. Apesar da correção, o valor permanece 32,4% acima do registado no período homólogo e representa o nível mais baixo desde o início da guerra no Médio Oriente e do encerramento do estreito de Ormuz.

A América do Norte acompanha a tendência, com o preço do barril em 120,32 dólares, menos 12,4% do que na semana anterior e menos 23,4% do que em maio. No Médio Oriente, o barril desce para 110,82 dólares, enquanto a América Latina e Caraíbas mantém o preço mais elevado, nos 125,94 dólares, seguida de África, nos 123,58 dólares.

Impacto nos custos da aviação em Portugal

O recuo dos preços surge depois de uma escalada acentuada em março de 2026, quando o conflito no Médio Oriente levou várias regiões a mais do que duplicarem o custo do jet fuel. Na Europa, o barril chegou então a superar 214 dólares, enquanto o índice geral atingiu 197 dólares.

Perante essa subida, várias companhias aéreas admitem repercutir parte do aumento dos custos nos passageiros. A TAP reforça a sua política de hedging por duas vezes, primeiro para 40% e mais recentemente para 47%, numa tentativa de mitigar a volatilidade do combustível.

Em Portugal, o risco de abastecimento também entra no centro das preocupações do setor energético e dos transportes. A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, afirma por diversas vezes que o abastecimento nacional está garantido, com o Governo a reforçar contactos com Brasil, U.S., Argélia e Nigéria, enquanto a Galp indica que 80% das necessidades nacionais estão asseguradas através de Sines, complementadas por contratos adicionais para cobrir o restante consumo.

Na nossa publicação anterior sobre a retoma do tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz, explicámos como a reabertura da rota e a janela de negociação de 60 dias ajudaram a aliviar rapidamente a pressão nos mercados energéticos. Também destacámos que, apesar da queda nas cotações internacionais, o reflexo nos preços ao consumidor em Portugal tende a surgir com algum atraso, devido ao calendário de atualização e ao peso da componente fiscal.

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