Visto gold de Portugal reforça investimento e emprego na economia

Visto gold de Portugal reforça investimento e emprego na economia
Visto gold impulsiona empregos

O programa de visto gold de Portugal gera 54 mil milhões de euros de produção económica desde 2012, sustentando entre 25 mil e 30 mil empregos num momento em que vários regimes europeus de residência por investimento encerram. Em 2026, o mecanismo mantém-se ativo com regras reformuladas, mais centradas em fundos, investigação, cultura e criação de postos de trabalho do que no imobiliário.

Destaques

  • A revisão do visto gold em outubro de 2023 eliminou o investimento direto em imobiliário, priorizando fundos, ciência, património cultural e criação de emprego.
  • A AIMA processou 4.990 autorizações do visto gold em 2024, com 2.081 para investidores principais, sinalizando procura sustentada após as mudanças regulatórias.
  • Cada euro investido no programa gera cerca de seis euros em atividade económica, mas custos de habitação continuam a subir apesar da reformulação do regime.

Reforma do programa e novas vias de investimento

The Portugal Post refere que a revisão legislativa de outubro de 2023 eliminou as modalidades de investimento direto em imobiliário e redirecionou o capital estrangeiro para fundos de capital de risco, investigação científica, património cultural e empresas com criação de emprego. A mudança responde às críticas de que o modelo original, lançado em 2012, agravava a gentrificação e a falta de acessibilidade à habitação em Lisboa e no Porto.

Em 2026, os candidatos dispõem de cinco vias principais, incluindo investimento em fundos registados em Portugal, apoio à investigação científica, financiamento de projetos de património cultural, criação de empregos permanentes e entrada em sociedades comerciais portuguesas que criem ou mantenham empregos durante pelo menos três anos. O regime continua a exigir apenas sete dias de presença física por ano para manter a residência e preserva a mobilidade no espaço Schengen.

Após uma alteração parlamentar recente, o prazo para pedir a cidadania portuguesa passa de cinco para 10 anos de residência. O texto indica também que a contagem começa apenas quando a Agência para a Integração, Migrações e Asilo, AIMA, emite formalmente a autorização de residência, um passo administrativo que pode demorar entre dois e três anos.

A AIMA, que assumiu a gestão do visto gold em outubro de 2023, processou 4.990 autorizações em 2024, das quais 2.081 para investidores principais e 2.909 para familiares. Os números apontam para procura sustentada apesar da mudança regulatória e da retirada do imobiliário como porta de entrada direta no programa.

Impacto económico e pressão sobre habitação

A avaliação citada no texto atribui ao programa um efeito multiplicador relevante, com cada euro investido a gerar cerca de seis euros em atividade económica mais ampla, distribuída por construção, serviços, inovação e consumo. O regime também terá gerado entre 1,5 mil milhões e 2 mil milhões de euros em IVA e imposto do selo, além de mais de 500 milhões de euros por ano em consumo local.

As rotas redesenhadas canalizam capital para vários setores e para zonas de baixa densidade, onde projetos de emprego e património procuram contrariar o declínio demográfico e a estagnação económica fora do litoral. Educação, turismo, serviços financeiros e construção surgem entre as áreas com atividade associada ao visto gold, enquanto a aposta em fundos reforça o mercado português de capital de risco e private equity.

No plano europeu, Portugal permanece uma exceção num mercado em retração. Espanha aboliu o seu visto gold assente em imobiliário em abril de 2025, enquanto Irlanda, UK e Malta fecharam ou restringiram programas semelhantes nos últimos anos.

Para os residentes, a retirada do imobiliário do centro do programa pretende aliviar uma das principais críticas, mas os custos da habitação continuam a subir até 2025 e em 2026. Isso sugere que restrições de oferta, entraves no licenciamento, limitações na construção e mudanças demográficas continuam a pesar sobre a acessibilidade, ao mesmo tempo que o governo tenta direcionar o investimento externo para inovação e emprego.

Na nossa publicação, analisámos a subida dos preços da habitação em Portugal em 2025, com o valor mediano a atingir 2.076 euros por metro quadrado e aumentos fortes face a 2024. O destaque foi a pressão nas áreas metropolitanas e no Algarve, com Lisboa a liderar em transações e a registar os preços mais elevados, sobretudo nas compras por compradores com domicílio fiscal no estrangeiro. Os dados indicaram ainda que, apesar da valorização, o número de transações recuou no quarto trimestre, sinalizando um mercado caro e cada vez mais tensionado.

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