PJ conclui captura de rede que roubou 3 milhões de euros em Bitcoin no Centro de Portugal

PJ conclui captura de rede que roubou 3 milhões de euros em Bitcoin no Centro de Portugal
Rede de Bitcoin desmantelada

A captura do último suspeito encerra a fase policial de um caso de assaltos violentos contra detentores estrangeiros de criptomoedas no interior do Centro de Portugal. O grupo, composto por nove arguidos estrangeiros, é acusado de ter obtido cerca de 3 milhões de euros em Bitcoin em invasões a casas entre setembro de 2020 e novembro de 2021.

Destaques

  • A Polícia Judiciária concluiu em abril a captura dos nove suspeitos da rede que roubou cerca de 3 milhões de euros em Bitcoin em 2020.
  • O grupo visava residentes estrangeiros em zonas rurais de Castelo Branco e Idanha-a-Nova, utilizando armas de fogo e obrigando à transferência de criptoativos.
  • Perdas por burla com criptomoedas em Portugal ultrapassaram os 14,7 milhões de euros em 2025, destacando riscos para expatriados e investidores devido a esquemas sofisticados.

Investigação fecha cerco após extradição do último suspeito

A Portugal Judicial Police concluiu a captura da rede no fim de abril, com a extradição a partir do UK do nono e último suspeito, segundo o The Portugal Post. O arguido aguarda julgamento na prisão de Castelo Branco, enfrentando acusações de roubo agravado e cinco crimes de sequestro.

A operação, designada "Miragem", identificou uma célula com funções distribuídas entre os seus membros e com preparação prévia dos ataques. Os alvos estavam em propriedades rurais isoladas em Castelo Branco e Idanha-a-Nova, onde os assaltantes atuavam com recurso a armas de fogo e forçavam as vítimas a transferir criptoativos em tempo real.

No primeiro ataque, em setembro de 2020, cinco residentes de uma propriedade rural foram surpreendidos durante a noite e coagidos a transferir dezenas de unidades de Bitcoin por várias carteiras digitais. O valor desses ativos rondava então os 3 milhões de euros. Numa segunda investida, em novembro de 2021, o grupo tentou repetir o esquema contra outro conjunto de cinco residentes estrangeiros, mas saiu sem conseguir obter fundos.

Sete membros foram detidos em Portugal e dois no UK, no âmbito de uma articulação com a Europol. Um dos detidos no UK foi condenado em janeiro de 2024 a quatro anos e dois meses de prisão efetiva, enquanto o último suspeito compareceu em 29 de abril perante o tribunal de Castelo Branco e ficou em prisão preventiva devido ao risco de fuga e à gravidade dos crimes.

Impacto na segurança de expatriados e no mercado cripto

O caso reforça a exposição de residentes estrangeiros com posições relevantes em criptomoedas a redes de criminalidade organizada em Portugal, sobretudo em zonas rurais. Todos os visados neste processo eram cidadãos estrangeiros a viver no país, um padrão que sugere vulnerabilidades associadas ao isolamento geográfico, à barreira linguística e à circulação informal de informação sobre património digital.

As autoridades portuguesas apontam também para um quadro mais amplo de fraude ligada a criptoativos. As perdas com burlas de criptomoedas no país superaram 14,7 milhões de euros em 2025, num contexto marcado por esquemas em pirâmide, falsas plataformas de investimento e campanhas de phishing cada vez mais sofisticadas.

Entre os oito arguidos já condenados, as penas variam entre três anos e 11 meses e nove anos de prisão, refletindo diferentes graus de participação, desde apoio logístico até execução direta da violência. Continua, no entanto, por esclarecer se parte do Bitcoin roubado foi recuperada e se poderá ser canalizada para compensar as vítimas, uma vez que a natureza volátil e pseudónima destes ativos dificulta o rastreamento e a restituição.

Para investidores e expatriados, o processo sublinha a importância de medidas de proteção operacional, incluindo discrição sobre carteiras digitais, uso de soluções de custódia mais seguras e contacto prévio com forças de segurança locais. O desfecho judicial do último arguido pode encerrar este caso, mas deixa em aberto a questão sobre a existência de redes semelhantes ainda ativas no interior do país.

Na nossa publicação, acompanhámos a acusação do Ministério Público em Gondomar sobre um alegado esquema de branqueamento de capitais associado a burlas do tipo CEO Fraud. O caso descrevia a utilização de uma empresa sem atividade real para abrir contas em três bancos, movimentar mais de 2,7 milhões de euros e recorrer a faturas falsas para justificar transações, incluindo ainda um pedido de perda de vantagens com verbas apreendidas.

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