EDP Portugal reforça alerta sobre fraude em faturas com uso de dados reais de clientes
A fraude dirigida a clientes de eletricidade em Portugal está a tornar-se mais sofisticada, com mensagens que reproduzem dados pessoais verdadeiros para simular cobranças legítimas. A EDP Portugal contabiliza mais de 3.000 denúncias no primeiro semestre, numa subida de 4% face ao mesmo período do ano anterior.
Destaques
- A EDP Portugal reporta agravamento das fraudes em faturação, agora com uso de dados reais de clientes como nome, morada, NIF e CPE coletados de plataformas digitais.
- Criminosos emitem faturas falsas com referências Multibanco fraudulentas e remetentes com emails personalizados para imitar comunicações da EDP Comercial e desviar pagamentos.
- As denúncias de fraude subiram 4% nos últimos períodos, levando EDP Portugal a recomendar débito direto e a bloquear referências suspeitas em colaboração com a SIBS.
Escalada dos esquemas e sinais de risco
Segundo The Portugal Post, citando a EDP Portugal, confirma-se um agravamento dos esquemas de fraude dirigidos a clientes, com criminosos a usarem nome, morada, NIF e Código do Ponto de Entrega para dar credibilidade a faturas falsas e desviar pagamentos.A empresa indica que a ameaça deixou de assentar sobretudo em mensagens massificadas e genéricas e passou a recorrer a emails altamente personalizados, concebidos para imitar a comunicação da EDP Comercial. Entre os elementos usados pelos burlões estão referências de pagamento Multibanco falsas, criadas para aparentar legitimidade e encaminhar o dinheiro para contas controladas por terceiros.
O CPE assume um papel central nestes esquemas por ser um identificador único de cada instalação elétrica e por constar nas faturas oficiais. A EDP Portugal refere que está a conduzir uma investigação interna sobre a origem dos dados, admitindo que a informação possa ter sido recolhida em várias plataformas digitais onde os próprios consumidores a introduziram.
As mensagens fraudulentas apresentam, em muitos casos, o nome completo e a morada do cliente, o NIF exato e o código CPE, além de logótipos, tipos de letra e estrutura visual semelhantes aos da EDP Comercial. A empresa alerta ainda para anexos que parecem faturas em PDF, mas que podem conter ligações maliciosas ou instruções para pagamento por entidades não autorizadas.
Impacto nos consumidores e medidas de proteção
A EDP Portugal recomenda que os clientes verifiquem cuidadosamente a origem das mensagens e recorda que os emails autênticos são enviados apenas a partir dos domínios @cliente.edp.pt, @edp.pt e @edp.com. A empresa acrescenta que as faturas legítimas seguem em anexo PDF e que não solicita por email ou SMS dados bancários, palavras-passe, credenciais de homebanking ou o código CPE.Para pagamentos por Multibanco, os clientes domésticos devem usar apenas as entidades 20174 e 23013, enquanto as empresas devem usar 12223 e 21196. Qualquer referência fora dessa lista deve ser tratada como suspeita. Em articulação com a SIBS, a energética diz estar a acelerar a identificação e o bloqueio de referências falsas, embora novas referências surjam com frequência.
A empresa está também a promover o débito direto como a forma mais segura de pagamento, por eliminar a necessidade de validar referências Multibanco. Como complemento, sugere o uso do portal EDP Online ou da aplicação móvel para confirmar a emissão de novas faturas e os respetivos prazos.
Se o cliente já tiver efetuado um pagamento para uma referência fraudulenta, a orientação é contactar o banco nas primeiras 24 horas, apresentar queixa junto da PSP ou da GNR e informar a EDP Portugal pelos canais oficiais. A empresa enquadra a subida de 4% nas denúncias como sinal de maior atividade criminosa, mas também de maior vigilância dos consumidores, num contexto em que o setor energético permanece exposto a riscos crescentes de ciberfraude.
Na nossa publicação anterior, analisámos o reforço da fiscalização da Autoridade Tributária e Aduaneira em 2025, com mais investigações de crime fiscal, deteção de centenas de milhões em riqueza ilícita e maior recurso ao acesso a registos bancários em casos suspeitos. O artigo também destacou como estes mecanismos procuram travar esquemas com faturas fictícias e circulação de fundos, num contexto de maior escrutínio sobre pagamentos e movimentos financeiros.
Últimas notícias Portugal
- Forex
- Crypto