Portugal procura assegurar 1,5 mil milhões do PRR com quatro reformas em fase final
A menos de um mês e meio do prazo final do Plano de Recuperação e Resiliência, o Governo diz que conclui dentro do calendário as reformas necessárias para desbloquear o último pagamento. Em causa estão quatro medidas com impacto nas prestações sociais, nos benefícios fiscais e no licenciamento energético, cujo incumprimento pode traduzir-se num corte de verbas para Portugal.
Destaques
- Portugal precisa concluir quatro reformas até 31 de agosto para desbloquear 1,5 mil milhões de euros do PRR junto de Bruxelas.
- Duas reformas visam a Prestação Social Única e simplificação de benefícios fiscais, mas aguardam aprovação final em Conselho de Ministros.
- Reformas no licenciamento e áreas “go-to” para renováveis somam 500 milhões de euros, sendo críticas para competitividade industrial e financiamento europeu.
Reformas decisivas até 31 de agosto
Como noticiou o Jornal de Negócios, o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, assegura no Parlamento que “as reformas vão ser cumpridas dentro do prazo”, referindo-se aos compromissos com Bruxelas que têm de estar concluídos até 31 de agosto.Numa audição pedida pelo PS sobre o estado de execução do PRR, o governante indica que as maiores preocupações se concentram em quatro reformas que são determinantes para desbloquear o décimo e último cheque do plano. Duas dessas medidas dizem respeito à Prestação Social Única, incluindo a eliminação de oito prestações sociais, entre elas o RSI, e à simplificação e redução do número de benefícios fiscais.
As outras duas reformas incidem sobre o licenciamento das energias renováveis e sobre a definição de áreas “go-to” para a instalação dessas fontes de energia. Manuel Castro Almeida afirma que esta é a componente que depende diretamente do Governo e reitera que os marcos e metas previstos nessa frente ficam concluídos dentro do prazo.
No caso da Prestação Social Única e da simplificação dos benefícios fiscais, o Executivo já obtém na Assembleia da República autorizações legislativas para avançar com legislação nestas matérias. Ainda assim, os respetivos decretos-leis continuam por aprovar em Conselho de Ministros, apesar de a sua publicação ser a prova exigida por Bruxelas para validar o cumprimento das reformas.
Risco financeiro e impacto na execução final
Também os diplomas relativos ao licenciamento das energias renováveis e à definição das áreas “go-to” ainda não são aprovados em Conselho de Ministros. Se Portugal não concluir estas reformas a tempo, fica sujeito a uma penalização na fase final de execução do PRR.Cada uma das reformas principais vale cerca de 500 milhões de euros, enquanto as duas associadas a resoluções de Conselho de Ministros representam cerca de 250 milhões de euros cada. Na prática, o atraso nestes quatro dossiês pode colocar em risco 1,5 mil milhões de euros para o país.
O peso das medidas ligadas à energia reforça ainda a importância do setor na competitividade industrial portuguesa, num momento em que o enquadramento regulatório para renováveis é apresentado como uma vantagem para atrair localização industrial. A conclusão atempada destes diplomas torna-se, por isso, relevante não só para garantir financiamento europeu, mas também para reduzir incerteza regulatória em investimentos ligados à transição energética.
Na nossa publicação, analisámos o bloqueio de projetos de energias renováveis em Portugal devido a atrasos no licenciamento, limitações de rede e falta de previsibilidade regulatória, fatores que travam o investimento e dificultam o cumprimento das metas de 2030. O texto destacou ainda como a ausência de mecanismos consistentes (como leilões) e a carga fiscal no setor aumentam a incerteza, tornando mais urgente um quadro de licenciamento mais simples e com prazos claros para destravar capacidade e capital.
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