PJ alarga operação sobre contratos de helicópteros para combate a fogos em Portugal
A investigação sobre concursos públicos de helicópteros para o combate aos fogos rurais volta a ganhar dimensão com novas buscas realizadas esta manhã em Lisboa. O processo, conhecido como “Operação Torre de Controlo”, centra-se em suspeitas de corrupção, fraude e manipulação de contratos públicos avaliados em cerca de 100 milhões de euros.
Destaques
- Polícia Judiciária realizou novas buscas relacionadas com Ricardo Leitão Machado, dono da Gesticopter, expandindo investigação sobre contratos de helicópteros em Portugal.
- As investigações focam-se em suspeitas de corrupção ativa e passiva, burla qualificada e fraude fiscal envolvendo contratos públicos de combate a incêndios desde 2022.
- Contratos sob suspeita, avaliados em 100 milhões, incluem operação, manutenção e gestão dos meios aéreos do Estado no âmbito do DECIR, visando possível manipulação de preços.
Novas buscas aprofundam investigação
Como avançou o NOW, o principal alvo desta nova fase da operação é Ricardo Leitão Machado, empresário ligado à Gesticopter e cunhado do ministro da Presidência, António Leitão Amaro. A casa do empresário, no Restelo, em Lisboa, está a ser alvo de buscas, assim como empresas e pessoas a si associadas.Segundo os elementos conhecidos, Ricardo Leitão Machado é dono da Gesticopter, empresa que ganhou concursos para o aluguer de helicópteros. Embora a entrada formal do empresário no capital tenha ocorrido depois, através da compra da sociedade Gestifly, a Polícia Judiciária suspeita que o controlo da empresa já existia há mais tempo. O irmão de António Leitão Amaro desempenhava funções de diretor de operações da Gesticopter.
Suspeitas sobre contratos de 100 milhões
Em março de 2025, a Polícia Judiciária indicou em comunicado que a investigação abrange suspeitas de corrupção ativa e passiva, burla qualificada, abuso de poder, tráfico de influência, associação criminosa e fraude fiscal qualificada. De acordo com a PJ, essas práticas resultam de uma relação complexa estabelecida pelo menos desde 2022 entre várias sociedades sediadas em Portugal, com influência sobre concursos públicos no âmbito do combate aos incêndios rurais.A Judiciária acrescentou que os contratos em causa envolvem serviços de operação, manutenção e gestão da aeronavegabilidade dos meios aéreos do Estado afetos ao Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais, DECIR. Segundo a mesma descrição, o objetivo seria criar carência de meios aéreos públicos para sujeitar o Estado português a preços mais elevados em contratos subsequentes.
Na fase anterior da operação, o Departamento Central de Investigação e Ação Penal, DCIAP, informou que tinham sido constituídas arguidas sete pessoas singulares e cinco empresas. A nova vaga de buscas sugere um aprofundamento de uma investigação com impacto potencial na contratação pública ligada ao setor dos meios aéreos de emergência em Portugal.
A Operação “Saco Roto”, anteriormente acompanhada na nossa publicação, investigou suspeitas de fraude na obtenção de subsídios com fundos europeus, envolvendo 30 operações cofinanciadas e um apoio aprovado superior a 1,8 milhões de euros. A Polícia Judiciária deteve três suspeitos, realizou dezenas de buscas em vários concelhos e apreendeu 100 mil euros, tendo o caso apontado para uma rede empresarial alegadamente criada para sustentar o esquema.
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