Temu enfrenta multa recorde de 200 milhões de euros da UE por riscos de produtos ilegais
A nova sanção da Comissão Europeia coloca sob pressão a operação da Temu em Portugal e no resto da União Europeia, depois de os reguladores concluírem que a plataforma expõe consumidores a mercadorias potencialmente perigosas. A empresa tem de apresentar um plano corretivo até 28 de agosto de 2026, enquanto Bruxelas mantém abertas outras frentes de investigação sobre o seu modelo de funcionamento.
Destaques
- Comissão Europeia multou a Temu em 200 milhões de euros por falhas sistémicas na avaliação de riscos de produtos ilegais no seu marketplace em 2024.
- Temu deve apresentar até 28 de agosto um plano de correção detalhado, sob pena de penalizações adicionais, após resultados negativos em testes de brinquedos, carregadores e acessórios.
- Bruxelas reforçou o escrutínio a plataformas chinesas como Temu, Shein e AliExpress, prevendo custos de conformidade mais elevados e impacto nos preços e oferta do retalho online europeu.
Falhas de avaliação de risco e prazo de correção
A Comissão Europeia anunciou a coima após concluir que a Temu falhou de forma sistemática na identificação e avaliação dos riscos associados a produtos ilegais vendidos no seu marketplace. A investigação incluiu compras encobertas e coordenação com autoridades aduaneiras, levando Bruxelas a considerar elevada a probabilidade de consumidores da UE encontrarem artigos proibidos ou perigosos na plataforma.O valor da sanção teve em conta a natureza da infração, o número de utilizadores afetados nos 27 Estados-membros e a duração da violação. Segundo as conclusões de Bruxelas, a avaliação de risco da Temu em 2024 assentava em informação genérica sobre o setor do comércio eletrónico, em vez de usar dados concretos da própria plataforma, como vendas reais, reclamações de clientes e resultados de testes de produtos.
A Comissão sustenta ainda que a empresa não avaliou de forma adequada o modo como os seus algoritmos de recomendação e programas de afiliação podem ampliar a distribuição de mercadorias perigosas. Ao abrigo da Lei dos Serviços Digitais, as plataformas online de muito grande dimensão têm de realizar avaliações de risco rigorosas e baseadas em evidência, bem como aplicar medidas proporcionais de mitigação.
A Temu contestou a decisão e disse à agência EFE que considera a multa desproporcionada. Se não recorrer, a empresa dispõe de três meses para pagar e, mais imediatamente, tem de entregar a Bruxelas um plano detalhado de correção até 28 de agosto, sob pena de enfrentar penalizações periódicas adicionais em caso de incumprimento das ordens finais.
Impacto para consumidores portugueses e para o retalho online
Para os consumidores em Portugal, as conclusões dos reguladores europeus levantam preocupações imediatas sobre a segurança de artigos já comprados na plataforma, incluindo brinquedos para bebés, carregadores de telemóvel e acessórios. Os testes identificaram riscos de asfixia, níveis ilegais de substâncias químicas e falhas básicas de segurança elétrica, num contexto em que os preços muito baixos da Temu reforçaram a sua atração junto de compradores mais sensíveis ao custo.Bruxelas também enquadra o caso numa ofensiva mais ampla contra plataformas chinesas de desconto. Shein e AliExpress enfrentam investigações formais ao abrigo da mesma legislação, enquanto a UE aperta procedimentos aduaneiros e fecha lacunas que facilitavam a entrada de remessas de baixo valor com fiscalização limitada.
O endurecimento regulatório poderá aumentar os custos de conformidade para estas plataformas, com possível impacto em preços, variedade de oferta e processos de controlo antes da venda. Em contrapartida, uma aplicação mais rigorosa das regras tende a reduzir a entrada de produtos perigosos no mercado português e a pressionar o setor do comércio eletrónico transfronteiriço a rever práticas de supervisão, testes e recomendação de produtos.
Na nossa publicação, acompanhámos o processo de infração aberto pela Comissão Europeia contra Portugal por atraso na transposição da diretiva sobre transparência dos rótulos ambientais e reforço dos direitos dos consumidores na transição verde. A medida visa travar o ecobranqueamento e a obsolescência precoce, impondo mais exigência na informação comercial sobre sustentabilidade, durabilidade, reparabilidade e garantias, com impacto direto para empresas e retalho na UE.
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