Alstom duplica atividade em fábrica de Barcelona após reforço da encomenda da CP

Alstom duplica atividade em fábrica de Barcelona após reforço da encomenda da CP
Alstom acelera produção CP

O reforço da compra de comboios pela CP está a obrigar a Alstom a reorganizar a produção para cumprir prazos de entrega mais curtos em Portugal. A operação eleva o peso do contrato português para 153 automotoras e consolida aquela que é apresentada como a maior aquisição de material circulante ferroviário de sempre no país.

Destaques

  • Alstom duplicou a atividade na fábrica de Barcelona após a CP aumentar a encomenda para 153 comboios, elevando o investimento total para 1.064 milhões de euros.
  • A unidade catalã produzirá 72 comboios, e os restantes 81 serão fabricados na futura fábrica de Guifões, com entregas previstas entre 2029 e 2031.
  • O financiamento das 153 automotoras envolve 710,1 milhões de euros do Orçamento do Estado, 141,4 milhões do Sustentável 2030 e 212,5 milhões do Fundo Ambiental.

Reforço da encomenda acelera produção

Segundo o El Economista, a Alstom foi obrigada a duplicar a atividade na fábrica de Santa Perpetua de Mogoda, em Barcelona, depois de a CP ter aumentado a dimensão da encomenda inicialmente esperada pela fabricante francesa.

A empresa estava a contar com apenas 10 unidades, mas a assinatura realizada em março faz subir o total para 153 comboios, após o pedido adicional de 36 comboios suburbanos, num investimento extra de 318 milhões de euros. No total, a compra de novas composições à Alstom está avaliada em 1.064 milhões de euros.

A unidade catalã vai produzir 72 comboios, dos quais 55 regionais e 17 suburbanos destinados à linha de Cascais. Os restantes 81 deverão ser construídos na futura fábrica de Guifões, na região do Porto, enquanto as primeiras unidades devem entrar ao serviço público em 2029 e a última deverá ser entregue em 2031.

Impacto industrial e próximos concursos

O aumento da encomenda, combinado com calendários de entrega mais apertados, força a Alstom a rever o planeamento industrial e reforça a relevância do contrato português na sua capacidade produtiva ibérica.

O financiamento das 153 automotoras contratualizadas reparte-se por 710,1 milhões de euros do Orçamento do Estado, 141,4 milhões de euros do programa Sustentável 2030 e 212,5 milhões de euros do Fundo Ambiental.

A este investimento poderá ainda juntar-se o concurso para 12 comboios de alta velocidade, com valor base de 504 milhões de euros. Nesse processo, a Alstom pode concorrer com a espanhola Talgo, a alemã Siemens Mobility, as asiáticas CRR e Hyundai Rotem, e o consórcio Hitachi Rails.

Na nossa publicação, analisámos como a energia se tem afirmado como uma vantagem competitiva de Portugal para atrair projetos industriais, com destaque para Sines e para o papel do porto e de investimentos em curso. Também referimos medidas de apoio às empresas mais expostas à subida dos custos energéticos, incluindo uma linha de crédito de emergência para aliviar pressões e sustentar investimento e atividade.

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