Parlamento de Portugal trava reforma laboral e mantém pressão regulatória sobre empresas

Parlamento de Portugal trava reforma laboral e mantém pressão regulatória sobre empresas
Reforma laboral travada

A rejeição da proposta laboral do Governo no Parlamento português mantém inalteradas regras centrais sobre contratos a prazo, despedimento sem justa causa e horas extraordinárias. A decisão, tomada em 19 de junho de 2026, prolonga a incerteza para as empresas num momento em que as confederações patronais defendem mudanças ligadas ao teletrabalho, à digitalização e à escassez de mão de obra.

Destaques

  • Em 19 de junho de 2026, o Parlamento de Portugal rejeitou na generalidade o pacote Trabalho XXI, bloqueando mais de 50 alterações ao Código do Trabalho.
  • A rejeição mantém limites aos contratos a termo (dois anos a termo certo, quatro anos a termo incerto), reintegração obrigatória e teto de 200 horas extraordinárias anuais.
  • Associações empresariais apontam o bloqueio como sinal negativo para produtividade e modernização, enquanto sindicatos celebram a preservação dos direitos laborais atuais.

Votação bloqueia pacote Trabalho XXI

The Portugal Post noticiou que o Parlamento de Portugal rejeitou na generalidade a proposta de revisão do Código do Trabalho apresentada pelo Governo liderado pelo PSD, impedindo o diploma de seguir para a fase de especialidade. O desfecho surge após negociações de última hora com o Chega, cujo apoio era decisivo para a aprovação do pacote.

A votação de 19 de junho de 2026 terminou com o Chega a juntar-se ao PS, Livre, PCP, BE, PAN e JPP para chumbar a iniciativa. A favor votaram apenas PSD, CDS-PP e Iniciativa Liberal. Antes da decisão final, o partido de André Ventura pediu uma suspensão de 30 minutos para fechar termos com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, mas manteve a exigência de reduzir a idade legal da reforma, condição recusada pelo executivo.

Com a rejeição na generalidade, o diploma não pode ser alterado em comissão e o Governo terá de apresentar uma nova proposta se quiser retomar o processo legislativo. O pacote Trabalho XXI, aprovado em Conselho de Ministros em 14 de maio e entregue no Parlamento em 18 de maio, previa mais de 50 alterações ao regime em vigor.

Entre as mudanças previstas estavam o alargamento da duração máxima dos contratos a termo para três anos nos contratos com termo certo e cinco anos nos contratos com termo incerto, a eliminação do período de espera de 12 meses para recurso a subcontratação após despedimento coletivo e a possibilidade de banco de horas individual sem convenção coletiva. O diploma também permitiria que qualquer empregador substituísse a reintegração por indemnização em casos de despedimento ilícito, alargaria disposições de licença parental e abriria a porta ao aumento do limite anual de horas extraordinárias de 200 para 300 em certos setores por via de contratação coletiva.

Impacto recai sobre trabalhadores e competitividade

Para os trabalhadores, a derrota da proposta mantém o quadro atual de proteção, incluindo contratos a termo com limite máximo de dois anos nos contratos com termo certo e quatro anos nos contratos com termo incerto, reintegração obrigatória na maioria dos despedimentos sem justa causa e teto anual de 200 horas extraordinárias. UGT e CGTP classificam o resultado como uma vitória contra uma transferência de poder para as entidades patronais.

Do lado empresarial, as confederações patronais descrevem o chumbo como uma oportunidade perdida. A Confederação Empresarial de Portugal, pela voz do seu presidente Armindo Monteiro, sustenta que o atual Código do Trabalho não responde às exigências da digitalização, da transição energética, do teletrabalho e do envelhecimento demográfico. A CAP destaca que o aumento das horas extraordinárias poderia aliviar carências persistentes de mão de obra na agricultura, enquanto a CCP associa o desfecho a um sinal negativo para a produtividade do país.

Após a votação, Montenegro afirma em Bruxelas que o Governo não desiste de criar condições para tornar Portugal mais competitivo e produtivo. A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, considera que o país perde uma oportunidade histórica de aproximação a padrões europeus de salários e produtividade sem redução de direitos laborais.

Sem novo calendário legislativo anunciado, o impasse prolonga um debate que se arrasta desde o fim sem acordo das negociações de concertação social no início de 2026. O bloqueio deixa por resolver a tensão entre maior flexibilidade defendida pelas empresas e a preservação de direitos laborais apoiada pelos sindicatos, num contexto em que a produtividade portuguesa continua abaixo da média da União Europeia.

Na nossa publicação, acompanhámos o chumbo no Parlamento da proposta do Governo para rever o Código do Trabalho, depois de falhar um entendimento com o Chega. O impasse ficou ligado às exigências do partido, em especial a redução da idade legal da reforma e medidas sobre pensões elevadas, que o Executivo recusou acolher. Esse desfecho travou a tentativa de alterar regras laborais e evidenciou as dificuldades em formar maiorias para reformas com impacto no mercado de trabalho e na despesa social.

Este material pode conter opiniões de terceiros, nenhum dos dados e informações nesta página constitui aconselhamento de investimento de acordo com o nosso Aviso Legal. Embora sigamos rigorosos Padrões Editoriais, este post pode conter referências a produtos de nossos parceiros.