Parlamento de Portugal bloqueia reforma laboral e mantém regras atuais do mercado de trabalho
Portugal mantém inalterado o seu quadro laboral depois de o parlamento rejeitar um pacote de reforma que o Governo considerava essencial para elevar salários e competitividade. A derrota da proposta expõe o bloqueio político enfrentado pelo executivo minoritário e adia mudanças em horas extra, contratos a termo e subcontratação.
Destaques
- O parlamento português rejeita na quinta-feira à noite o pacote Trabalho XXI, bloqueando aumento do limite anual de horas extra para 300 e flexibilização de contratos a termo.
- A decisão mantém inalteradas as atuais regras laborais, prolongando restrições à contratação e despedimentos, o que penaliza produtividade em setores como agricultura e turismo.
- Confederações patronais criticam o resultado como golpe na competitividade, enquanto sindicatos e partidos de esquerda celebram o travão à precarização num contexto parlamentar fragmentado.
Votação trava pacote Trabalho XXI
À The Portugal Post, o parlamento português rejeita na quinta-feira à noite a proposta de reforma laboral conhecida como Trabalho XXI, depois de o Chega se juntar aos partidos de esquerda e inviabilizar o diploma. A favor votam apenas PSD, CDS-PP e Iniciativa Liberal, enquanto PS, Chega, Livre, PCP, Bloco de Esquerda, PAN e JPP chumbam o pacote.O desfecho surge após o colapso das negociações entre o Governo de Luís Montenegro e o partido de André Ventura, que exigia alterações na área das pensões para viabilizar a iniciativa. Pouco antes da votação, o líder parlamentar social-democrata ainda pede uma suspensão de 30 minutos para tentar um compromisso de última hora, mas sem sucesso.
O pacote previa o aumento do limite anual de horas extra de 200 para 300 por trabalhador, o alargamento da duração máxima dos contratos a termo de dois para três anos e o levantamento de restrições à contratação externa após despedimentos coletivos ou extinção de posto. A proposta também incluía regras mais flexíveis de organização de horários, mudanças nos procedimentos de despedimento e uma norma para permitir licença parental aos avós.
O Governo defende que o diploma moderniza o mercado de trabalho numa economia mais digital e pós-pandemia, sem reduzir direitos. Já o Chega sustenta que o texto mantém erros para os trabalhadores e insiste em contrapartidas ligadas à idade da reforma, ao travão a futuras subidas e ao limite de pensões mais elevadas, condições recusadas pelo executivo.
Impacto económico e impasse político
A rejeição mantém sem alterações o Código do Trabalho, preservando os limites atuais em contratos temporários, horas suplementares, proteção no despedimento e recurso à subcontratação. Para os trabalhadores, isso afasta um agravamento imediato da flexibilidade laboral; para setores com falta de mão de obra, como agricultura e turismo, prolonga constrangimentos que associações empresariais dizem penalizar a produtividade.A ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, classifica o resultado como uma oportunidade histórica perdida, enquanto Luís Montenegro afirma, a partir de Bruxelas, que o Governo não desiste dos seus objetivos e admite reintroduzir o tema em momento politicamente mais favorável. Paulo Rangel também insiste que o executivo continuará a defender um enquadramento laboral mais flexível e orientado para o crescimento.
Confederações patronais como CAP, CTP, CIP e AIP reagem com desapontamento e apontam um golpe na competitividade portuguesa, argumentando que o atual regime está desajustado a desafios como digitalização, transição energética, teletrabalho e novos modelos de emprego. Em sentido oposto, CGTP, UGT e partidos de esquerda celebram a votação como uma vitória dos trabalhadores e um travão à precarização.
O episódio reforça ainda a perceção de que reformas económicas mais amplas, incluindo dossiês ligados a pensões ou fiscalidade, enfrentam um caminho difícil num parlamento fragmentado. Para investidores e empresas, o chumbo sublinha a dificuldade de aprovar medidas pró-mercado em Portugal, onde a proteção constitucional do trabalho e a falta de maioria parlamentar elevam o custo político de qualquer revisão estrutural.
O chumbo do pacote Trabalho XXI no Parlamento português manteve inalteradas regras centrais do Código do Trabalho, incluindo limites a contratos a termo, o teto anual de horas extraordinárias e regras de despedimento. Na nossa publicação, explicámos que o impasse surgiu após falharem as negociações com o Chega, que condicionou o apoio a mudanças nas pensões, enquanto empresas criticaram a perda de competitividade e sindicatos celebraram a manutenção das proteções laborais.
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