Portugal mantém vantagens energéticas para localização industrial, diz Mário Centeno
A revisão em alta da população residente volta a colocar pressão sobre a consistência das séries estatísticas usadas na análise económica em Portugal. Mário Centeno defende que o país já conhecia há anos uma dimensão populacional superior e pede ao INE que aplique a mesma metodologia a vários anos para evitar uma quebra de série em 2021.
Destaques
- A atualização populacional eleva o número de residentes em Portugal para 11.424.031, com 1.597.539 cidadãos estrangeiros contabilizados.
- Mário Centeno afirma que as discrepâncias demográficas já eram conhecidas pelas entidades públicas e resultam da validação estatística, não sendo uma descoberta recente.
- Centeno defende que o INE aplique metodologias consistentes anualmente para evitar quebras estatísticas, pois tais ruturas dificultariam análises económicas e decisões empresariais.
Revisão populacional levanta debate estatístico
Como noticiou o Jornal de Negócios, Mário Centeno afirmou esta terça-feira que era conhecido há muito tempo que a população em Portugal estava acima dos 10 milhões e apelou ao Instituto Nacional de Estatística para não criar uma quebra de série em 2021.Durante a intervenção nas jornadas parlamentares do PS, na Amadora, em Lisboa, o ex-ministro das Finanças disse que já questionava o INE sobre a coerência entre o PIB, o volume de emprego e a população identificada por várias fontes de informação quando ainda integrava o Governo. Segundo Centeno, a diferença agora exposta não representa uma descoberta recente sobre a dimensão do país, mas antes uma validação estatística de dados que já eram conhecidos pelas entidades públicas.
Em causa está a atualização do número de residentes em Portugal para 11.424.031 pessoas, após a contabilização de 1.597.539 cidadãos estrangeiros. O tema já levou o PSD a pedir a audição parlamentar de antigos governantes socialistas, incluindo José Luís Carneiro, para apurar se o anterior executivo tinha conhecimento do aumento populacional.
Impacto nas análises económicas e no planeamento
Centeno sustenta que o INE utilizou dados da AIMA para certificar informação da Segurança Social, uma vez que essas pessoas já estavam validadas nesse sistema. Na sua leitura, o problema central é metodológico e não de desconhecimento da realidade demográfica e laboral do país.O antigo governador do Banco de Portugal pede assim que o instituto estatístico aplique a mesma metodologia a todos os anos para os quais existam dados disponíveis. Na perspetiva do ex-ministro, uma quebra estatística em 2021 dificultaria grande parte das análises económicas posteriores, afetando a leitura da evolução do emprego, da produtividade e de outros indicadores relevantes para decisões públicas e empresariais.
Na nossa publicação anterior sobre a revisão em alta da população residente em Portugal, explicámos que a atualização das estimativas para cerca de 11,4 milhões implica um ajustamento estatístico com impacto em vários indicadores per capita, incluindo o PIB per capita e métricas do emprego. Referimos também que estes recálculos só avançam após o envio e validação dos novos dados e séries históricas pelas entidades europeias, o que condiciona o calendário de atualização das contas nacionais e de indicadores usados em decisões públicas.
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