Portugal mantém inovação abaixo de metade das empresas e continua como inovador moderado

Portugal mantém inovação abaixo de metade das empresas e continua como inovador moderado
Inovação empresarial em baixa

Portugal reforça a sua base científica e melhora alguns indicadores de produto, mas continua com dificuldades em transformar conhecimento em escala empresarial e produtividade. Os dados mais recentes mostram uma descida continuada da proporção de empresas inovadoras entre 2022 e 2024, ao mesmo tempo que o país se mantém próximo da média da União Europeia sem entrar no grupo dos inovadores fortes.

Destaques

  • A percentagem de empresas portuguesas com 10 ou mais trabalhadores envolvidas em inovação caiu para 42,5% em 2022-2024, face a 44,7% no biénio anterior.
  • Portugal mantém-se como “inovador moderado” no European Innovation Scoreboard 2026, ocupando o 15.º lugar entre 27 países, com desempenho equivalente a 93,2% da média da UE.
  • Apesar do aumento na introdução de produtos inovadores, persistem fragilidades no investimento empresarial, propriedade intelectual e produtividade do trabalho, limitando ganhos de competitividade.

Indicadores de inovação mostram desaceleração

Como escreve o Jornal de Negócios, os resultados do Inquérito Comunitário à Inovação, CIS 2026, relativos ao período entre 2022 e 2024, indicam que 42,5% das empresas portuguesas com 10 ou mais trabalhadores desenvolvem atividades de inovação, abaixo dos 44,7% registados entre 2020 e 2022 e dos 48% observados entre 2018 e 2020.

Apesar da descida global, a percentagem de empresas que introduz produtos novos ou significativamente melhorados sobe de 22,6% para 24,3%. Já a inovação de processos recua de 40,4% para 37,6%, sinalizando uma perda de dinamismo numa componente importante da modernização empresarial.

Os dados também mostram um forte desfasamento por dimensão. Entre as empresas com 250 ou mais trabalhadores, 78,7% desenvolvem atividades de inovação, enquanto nas empresas com 10 a 249 trabalhadores essa proporção fica em 41,7%, reforçando a ideia de um tecido empresarial a duas velocidades.

As diferenças setoriais seguem a mesma tendência. Nas tecnologias da informação e comunicação, 68,9% das empresas desenvolvem atividades de inovação, e nos serviços financeiros a percentagem atinge 59,7%; já na agricultura, pescas, construção, atividades imobiliárias e transportes, apenas cerca de um terço das empresas é classificado como inovador.

Posição europeia evidencia apoio, mas também fragilidades

No European Innovation Scoreboard 2026, Portugal surge como “inovador moderado”, no 15.º lugar entre os 27 Estados-membros, com um desempenho equivalente a 93,2% da média da UE. A trajetória mantém-se positiva, com um aumento de 13% desde 2019, mas o país continua aquém do grupo dos “inovadores fortes”.

Entre os sinais mais favoráveis, destaca-se a inovação ambiental, com 59,6% das empresas inovadoras a introduzirem soluções com algum benefício ambiental. O retrato europeu também aponta vantagens no apoio público, direto e indireto, à I&D empresarial, na colaboração científica entre entidades públicas e privadas, na digitalização e nas vendas de produtos novos para o mercado ou para a própria empresa.

Em contrapartida, persistem fragilidades no investimento empresarial em inovação, nas exportações de serviços intensivos em conhecimento, nos ativos de propriedade intelectual e, sobretudo, na produtividade do trabalho. O quadro sugere que Portugal cria condições de suporte à inovação, mas ainda enfrenta dificuldades em converter esse esforço em tecnologia própria, escala económica e ganhos sustentados de competitividade.

Na nossa publicação, destacámos a proposta do Governo para um novo Código de Licenciamento das Atividades Económicas, com consulta pública prevista para o outono de 2026 e possível entrada em vigor em 2027, visando substituir autorizações prévias por declarações técnicas e reforçar o controlo posterior. A reforma prevê prazos vinculativos, aprovação tácita e maior interoperabilidade entre bases de dados, com o objetivo de reduzir custos e acelerar a entrada das empresas no mercado, aumentando também a atratividade para investimento.

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