Portugal coloca mil milhões de euros em bilhetes do Tesouro a 12 meses com juros mais altos
Portugal regressa ao mercado de curto prazo com uma emissão de bilhetes do Tesouro a um ano que fica abaixo do montante máximo indicativo. A operação surge num contexto de agravamento das yields no mercado secundário e de revisão recente do plano de financiamento do Estado para 2026.
Destaques
- Portugal colocou 1.005 milhões de euros em bilhetes do Tesouro a 12 meses com juro de 2,682%, abaixo do máximo previsto de 1,25 mil milhões.
- A procura foi 2,43 vezes superior à oferta, superando a operação comparável de maio, quando foram emitidos 1.537 milhões de euros a 2,613%.
- O IGCP reviu as necessidades líquidas de financiamento do Estado para 15 mil milhões de euros em 2026, 2 mil milhões acima da previsão anterior.
Condições da emissão e revisão do plano
Como noticiou o Jornal de Negócios, citando os resultados publicados pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, IGCP, foram colocados 1.005 milhões de euros em bilhetes do Tesouro com vencimento em julho de 2027, abaixo do teto máximo pretendido de 1,25 mil milhões de euros.A emissão foi realizada com um juro de 2,682% e uma procura 2,43 vezes superior à oferta. Tanto a taxa como o rácio de procura superam os da operação comparável anterior, realizada em maio, quando Portugal colocou 1.537 milhões de euros nesta maturidade a uma taxa de 2,613%, com procura 2,08 vezes acima da oferta.
O resultado representa também uma alteração face à atualização do programa de financiamento para o terceiro trimestre, em que o IGCP apontava para um leilão duplo a quatro e 12 meses. A mudança sugere um ajustamento dos planos da agência às condições de mercado após o fim do cessar-fogo no Médio Oriente.
Impacto no financiamento do Estado em 2026
No mercado secundário, a yield da dívida portuguesa a um ano agrava-se esta quarta-feira para 2,657%, reforçando o contexto de custos de financiamento mais elevados no curto prazo.No programa de financiamento do terceiro trimestre, publicado no início da semana, o IGCP indica que o país emitiu até junho 15,5 mil milhões de euros em obrigações do Tesouro, o equivalente a 65% do objetivo anual deste instrumento. A agência liderada por Pedro Cabeços estima emissões de obrigações do Tesouro, excluindo operações de troca, de 24 mil milhões de euros em 2026, enquanto o financiamento líquido através de bilhetes do Tesouro deverá atingir 4,2 mil milhões de euros.
O IGCP atualiza ainda as necessidades líquidas de financiamento do Estado para 15 mil milhões de euros, mais 2 mil milhões de euros do que na previsão do segundo trimestre. Esta revisão aponta para uma maior exigência de captação em mercado, num período em que a evolução das yields continua a condicionar o custo da dívida soberana.
No nosso artigo anterior sobre o Relatório de Atividades e Contas de 2025 do Tribunal de Contas, destacámos o aumento do volume financeiro sujeito a fiscalização prévia, a subida no número de contas verificadas e o crescimento no tratamento de participações, queixas e denúncias. O documento também apontava irregularidades recorrentes, sobretudo na contratação pública, na realização de despesa sem cabimento orçamental e em práticas de gestão de pessoal, sublinhando a importância de reforçar a transparência e prevenir riscos financeiros na administração pública.
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