Morgan Stanley vê ações brasileiras sob pressão após reeleição de Lula

Morgan Stanley vê ações brasileiras sob pressão após reeleição de Lula
Pressão no mercado após Lula

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva amplia a aversão ao risco no mercado brasileiro e leva bancos e investidores a reverem cenários para ações, câmbio e juros. A avaliação do Morgan Stanley indica que a bolsa pode perder entre 20% e 30% nas próximas semanas se o novo governo não apresentar sinais de compromisso com o ajuste fiscal.

Destaques

  • Morgan Stanley projeta que o índice preço/lucro do Brasil pode cair para 6,2 vezes até 2027, levando o Ibovespa a 130 mil pontos.
  • O acionamento do circuit breaker na B3 na segunda-feira, 26, reflete preocupações fiscais e desmontagem de apostas no mercado após a reeleição de Lula.
  • No cenário pessimista, Morgan Stanley prevê dólar a R$ 6 e juros futuros de 2029 a 16,5% caso não haja sinalização de compromisso fiscal.

Projeções para bolsa, dólar e juros

Como reporta a Exame Mercados, o Morgan Stanley avalia que a reação negativa dos ativos brasileiros decorre menos de uma revisão dos lucros corporativos e mais da redução do múltiplo que os investidores aceitam pagar pelas empresas diante do risco fiscal. No cenário pessimista do banco, o índice preço/lucro cairia para 6,2 vezes até meados de 2027, o que equivaleria a um Ibovespa em 130 mil pontos.

A reação já começa na abertura desta segunda-feira, 26, quando a queda do Ibovespa leva a B3 a acionar o circuit breaker e suspender os negócios por 30 minutos. Na visão do banco, o movimento reflete a desmontagem da aposta de parte do mercado numa mudança de direção da política fiscal.

Para câmbio e juros, o Morgan Stanley projeta deterioração em etapas. Num primeiro momento, o dólar testa a faixa de R$ 5,50 a R$ 5,70 e os juros futuros sobem cerca de 2 pontos percentuais; se o novo governo não sinalizar compromisso fiscal nas próximas semanas, o cenário mais adverso passa a incluir dólar a R$ 6 e juros futuros de 2029 em 16,5%.

Na nossa reportagem anterior sobre o rali do Ibovespa após o primeiro turno, explicámos como a queda do dólar e a redução dos prémios na curva de DI impulsionaram ações ligadas ao ciclo doméstico. Também destacámos a rotação setorial que favoreceu nomes como Magazine Luiza, Vamos, MRV, Cogna e Yduqs, ao mesmo tempo em que alertámos para sinais de sobrecompra e possibilidade de realização no curto prazo, apesar do alívio no risco fiscal e nos juros.

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