Reguladores em Portugal pedem quadro legal para reforçar combate à fraude digital
Os supervisores financeiros, reguladores das telecomunicações e entidades da justiça em Portugal estão a defender um enquadramento legislativo mais claro para responder ao aumento da fraude digital. A CMVM acompanha a criação de uma plataforma de acompanhamento destas fraudes, mas sublinha que eventuais mudanças nas regras devem preservar a estabilidade regulatória.
Destaques
- Banco de Portugal, Anacom e entidades judiciais solicitam novo quadro legislativo ao Governo para reforçar combate à fraude digital.
- A CMVM integra a plataforma de acompanhamento de fraudes digitais visando melhorar a monitorização e coordenação no sistema financeiro e comunicações.
- O presidente da CMVM, Luís Laginha de Sousa, enfatiza a prioridade à estabilidade regulatória e só defende ajustes legais estritamente necessários.
Pressão institucional por novas regras
Como avançou o Jornal de Negócios, várias entidades, entre as quais o Banco de Portugal, a Anacom e organismos da esfera da justiça, estão a pedir ao Governo um enquadramento legislativo para reforçar o combate à fraude digital. A iniciativa junta supervisores e reguladores de diferentes áreas numa resposta coordenada a um risco que afeta o sistema financeiro, as comunicações e a proteção dos utilizadores.A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários alinhou-se com este movimento, que deu origem a uma plataforma de acompanhamento de fraudes digitais. O objetivo passa por melhorar a monitorização deste tipo de crime e apoiar uma atuação mais articulada entre as entidades envolvidas.
CMVM defende estabilidade regulatória
Apesar de acompanhar a iniciativa, a CMVM dá prioridade à estabilidade regulatória no desenho de qualquer resposta legal. Luís Laginha de Sousa, presidente da entidade, defende que a regulação só deve ser ajustada quando isso for estritamente necessário.No programa do Negócios no NOW, o responsável afirmou que essa posição não significa desvalorizar alterações às regras, mas antes procurar tirar o melhor partido da regulação já existente. A abordagem sinaliza prudência regulatória num momento em que o reforço do combate à fraude digital ganha peso na agenda institucional em Portugal.
Na nossa publicação anterior, abordámos o escrutínio em torno do Fórum de Lisboa, num contexto associado ao caso Banco Master no Brasil e à operação Compliance Zero. O texto referia detenções, congelamento de ativos e suspeitas de fraudes, destacando também fragilidades regulatórias e o impacto destes casos na confiança nas instituições.
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