Portugal prolonga prazo regulatório do alojamento local até ao fim de 2026
O Governo português alarga até 31 de dezembro de 2026 o prazo para os municípios com forte presença de alojamento local decidirem se adotam regras próprias para o setor. A medida mantém a possibilidade de suspender novos registos durante a elaboração dessas normas e surge num momento em que milhares de licenças estão a ser canceladas por incumprimento.
Destaques
- O governo português prorrogou até o final de 2026 o prazo para municípios com mais de 1.000 registos de alojamento local definirem regras regulatórias descentralizadas.
- Mais de 10 mil licenças de alojamento local já foram canceladas em Portugal por não conformidade, com Lisboa eliminando 6.765 registos e o Porto 1.413 só em maio.
- A ALEP estima que a fiscalização poderá cancelar até cerca de 30 mil licenças adicionais, potencialmente reduzindo a oferta nacional ativa para aproximadamente 90 mil unidades.
Novo calendário e poder local
Como noticiou o The Portugal Post, a decisão foi aprovada em Conselho de Ministros em 11 de junho e dá mais tempo às autarquias para prepararem regulamentos ajustados à realidade de cada território.O prolongamento aplica-se aos municípios com mais de 1.000 registos de alojamento local, que passam a dispor até ao final de 2026 para decidir se querem usar os poderes de regulação descentralizados. A alteração responde às dificuldades de várias câmaras, sobretudo em zonas costeiras e do interior, em concluir enquadramentos técnicos e políticos num prazo inicial de 12 meses.
Ao mesmo tempo, o regime excecional permite que os municípios voltem a suspender ou prolonguem a suspensão de novos registos de alojamento local enquanto fecham as respetivas regras. Os registos já existentes mantêm-se válidos, salvo nos casos de infrações específicas, como falta de seguro de responsabilidade civil ou perturbações repetidas devidamente documentadas.
O enquadramento mantém a base jurídica definida no Decreto-Lei 76/2024. Segundo a linha seguida pelo Ministério da Economia, a extensão procura preservar a autonomia local e equilibrar a atividade turística com a disponibilidade de habitação residencial.
Limpeza de licenças e efeito no mercado habitacional
O mercado português de arrendamento de curta duração atravessa uma forte revisão administrativa. O Registo Nacional de Alojamento Local lista 119.147 unidades ativas, mas mais de 10 mil licenças já foram canceladas a nível nacional por falta de conformidade.Lisboa lidera essa redução, com 6.765 registos eliminados de um universo próximo de 19 mil, enquanto o Porto cancelou 1.413 licenças em maio. Municípios do Algarve, como Lagoa e Lagos, também avançam com auditorias dirigidas a unidades que não apresentaram prova do seguro obrigatório.
A ALEP estima que mais de 37 mil imóveis registados ainda não entregaram documentação válida de seguro, o que pode levar ao cancelamento adicional de cerca de 30 mil licenças se a fiscalização avançar de forma uniforme. Nesse cenário, a oferta ativa nacional pode recuar para perto de 90 mil unidades.
Para investidores e proprietários, o setor passa de um modelo mais permissivo para um controlo municipal mais granular, com zonas de contenção mais apertadas em cidades como Lisboa e restrições adicionais no Porto. Para o mercado habitacional de longo prazo, a expectativa é de algum alívio na oferta, embora a procura continue elevada e as rendas permaneçam sob pressão, apesar de sinais localizados de arrefecimento em 2026.
Na nossa publicação anterior sobre o agravamento do IMI em Matosinhos para imóveis devolutos e terrenos urbanizáveis, explicámos como a autarquia aplicou aumentos que podem chegar a 10 vezes em zonas de pressão urbanística. Também detalhámos que os proprietários podem contestar a classificação de devoluto ou mitigar o agravamento colocando os imóveis no arrendamento ou avançando com obras/construção, num esforço para aumentar a oferta de habitação.
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