Inflação em Portugal mantém pressão dos custos energéticos acima da previsão do governo
A inflação em Portugal permanece elevada em maio, refletindo a persistência do choque energético e o agravamento do custo de vida para as famílias. O Banco de Portugal projeta agora uma inflação de 3,1% em 2026, acima dos 2,5% estimados pelo governo em abril, ampliando o desvio nas referências para salários, consumo e planeamento financeiro.
Destaques
- Os preços ao consumidor em Portugal subiram 3,3% em maio, com produtos energéticos avançando 13,1%, acima dos 11,7% de abril.
- O Banco de Portugal revisou em alta a projeção de inflação anual para 2026 devido à pressão energética, divergindo da estimativa do governo enviada em abril.
- A inflação harmonizada pelo IHPC ficou em 3,1% em maio, 0,1 ponto percentual abaixo da média da zona euro, enquanto custos de transporte subiram 6,0%.
Choque energético agrava previsão para 2026
Conforme noticiou o ThePortugalPost, os preços no consumidor em Portugal registam uma subida homóloga de 3,3% em maio, num contexto em que o Banco de Portugal revê em alta a projeção anual para 2026 devido ao impacto da energia. A diferença face à estimativa enviada pelo governo a Bruxelas em abril mostra uma alteração relevante do cenário macroeconómico em poucas semanas.Os produtos energéticos avançam 13,1% em maio, acima dos 11,7% de abril, reforçando a pressão sobre combustíveis, eletricidade e outros encargos domésticos. Em contraste, a inflação subjacente permanece mais contida, com a medida que exclui alimentos e energia a situar-se em 2,2%, sinalizando que a pressão não se alastra de forma generalizada a toda a economia.
Os alimentos não transformados desaceleram para 5,7% em maio, depois de 7,4% em abril, enquanto restaurantes e alojamento abrandam para 5,1%, face a 5,7% no mês anterior. Em termos mensais, a subida de preços é de 0,2% em maio, abaixo do salto de 1,3% observado em abril, o que sugere algum alívio no ritmo mais agudo da escalada recente.
O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, atribui a revisão da inflação sobretudo ao aumento dos preços do petróleo associado à guerra no Irão, que perturba parte relevante da oferta global de energia. Essa exposição pesa mais no caso português, dado que o país continua dependente de importações energéticas, incluindo derivados de petróleo e gás natural.
Impacto nas famílias, empresas e mercado
O efeito mais direto surge no orçamento das famílias, sobretudo entre rendimentos mais baixos, pensionistas e arrendatários, que dedicam maior fatia da despesa a energia, alimentação e habitação. Os custos de transporte sobem 6,0% em maio, tornando mais cara a mobilidade e pressionando também a cadeia logística.Para as empresas, o cenário é misto. Operadores de logística, restauração e hotelaria enfrentam margens mais estreitas por causa dos combustíveis e da energia, embora a desaceleração nalguns serviços indique menor capacidade para repercutir aumentos de custos nos preços finais sem afetar a procura.
Os dados harmonizados mostram, ainda assim, alguma convergência com a zona euro. A inflação medida pelo IHPC em Portugal atinge 3,1% em maio, 0,1 pontos percentuais abaixo da média da área do euro, enquanto a inflação subjacente harmonizada fica em 2,1%, abaixo dos 2,3% do bloco.
O Banco de Portugal antecipa uma moderação da inflação para 2,4% em 2027, assumindo estabilização geopolítica e normalização gradual dos mercados energéticos. Até lá, a divergência entre a projeção do banco central e a estimativa governamental para 2026 deverá influenciar negociações salariais, decisões de investimento e o planeamento financeiro de famílias e empresas.
Na nossa publicação, analisámos o alargamento do défice comercial de Portugal no arranque de 2026, num contexto em que as importações cresceram mais depressa do que as exportações. O destaque foi para o salto nas importações de combustíveis e lubrificantes, impulsionado sobretudo pelo efeito preço associado à tensão geopolítica ligada ao Irão, e para a forma como a energia passou a pesar mais no saldo externo apesar de alguma resiliência das exportações para os principais mercados europeus.
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