Portugal enfrenta novas greves nas escolas enquanto reforma laboral vai a voto

Portugal enfrenta novas greves nas escolas enquanto reforma laboral vai a voto
Greves e reforma agitam escolas

O setor da educação em Portugal continua sob pressão em junho, com novas paralisações a afetarem o funcionamento das escolas, sobretudo no norte do país. A greve de 18 de junho prolonga um ciclo de contestação ligado ao debate parlamentar da reforma laboral Trabalho XXI, cuja votação está marcada para 19 de junho.

Destaques

  • Em 18 de junho, nova greve do S.TO.P. fechou escolas no norte de Portugal sem afetar o exame nacional de Biologia e Geologia.
  • A votação parlamentar da reforma laboral Trabalho XXI, marcada para 19 de junho, propõe bancos de horas individuais, mais subcontratação e regras de transparência para IA em RH.
  • Oposição sindical à reforma soma mais de 192 mil assinaturas e ameaça novas greves, aumentando o risco de instabilidade no mercado laboral português.

Calendário de paralisações e votação da reforma

The Portugal Post noticiou que a paralisação convocada pelo sindicato S.TO.P. em 18 de junho levou ao encerramento de escolas principalmente nos distritos do norte, embora os alunos que realizaram o exame nacional de Biologia e Geologia não tenham sido afetados.

Esta é a quarta grande ação de protesto no setor da educação durante o mês. O calendário inclui uma greve geral em 3 de junho com apoio da CGTP-IN e da UGT, uma paralisação do pessoal não docente em 5 de junho, uma ação de educadores de infância e professores do ensino básico em 15 de junho e a nova greve de docentes em 18 de junho.

Para 19 de junho está agendada a votação parlamentar da reforma laboral Trabalho XXI. Entre 22 e 26 de junho, FENPROF e S.TO.P. já apresentaram pré-avisos de greve para educadores e professores dos níveis pré-escolar, básico e secundário.

As perturbações recaem sobretudo sobre as crianças do pré-escolar e do ensino básico, já que o ano letivo destes alunos decorre até 30 de junho. No secundário, o impacto letivo é mais limitado porque o ano escolar terminou em 12 de junho.

Impacto económico e tensão no mercado de trabalho

A reforma Trabalho XXI, aprovada em Conselho de Ministros em 14 de maio, prevê mudanças com alcance alargado no mercado laboral português. O pacote inclui bancos de horas individuais, maior abertura à subcontratação após despedimentos e regras de transparência sobre o uso de inteligência artificial em processos de contratação e avaliação de desempenho.

O governo associa estas medidas a um salário mínimo mensal de 920 euros e ao reforço do subsídio de refeição. Ainda assim, a oposição sindical mantém-se forte, com a CGTP-IN a classificar o pacote como um ataque aos direitos dos trabalhadores e a reunir mais de 192 mil assinaturas contra a proposta.

A UGT adota uma posição menos confrontacional e procura alterações por via negocial, embora alerte para o risco de conflito laboral. Entre os grupos mais expostos estão trabalhadores não docentes, como auxiliares, administrativos, pessoal de cantina e segurança, devido ao receio de maior recurso à subcontratação e de agravamento da precariedade.

A decisão parlamentar de 19 de junho é vista como um teste decisivo para a reforma. Se o diploma avançar sem mudanças substanciais, os sindicatos avisam que poderão intensificar a contestação, com novas greves num debate que ultrapassa a educação e pode influenciar as condições de trabalho em toda a economia portuguesa.

Na nossa publicação, acompanhámos o debate e a votação na generalidade do pacote laboral Trabalho XXI no parlamento, num momento em que o Governo PSD-CDS, sem maioria, precisava de negociar com a oposição para viabilizar o texto. O artigo destacou as principais mudanças previstas — como o regresso do banco de horas, ajustes em contratos e direitos parentais — e a forte contestação sindical, enquadrando o processo como um teste à capacidade do executivo de construir maiorias variáveis.

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