Comissão Europeia avança com simplificação fiscal para reduzir custos das empresas na UE

Comissão Europeia avança com simplificação fiscal para reduzir custos das empresas na UE
UE simplifica impostos

Bruxelas adota um novo pacote de simplificação fiscal para reduzir encargos administrativos e tributários das empresas no mercado interno. As medidas abrangem pagamentos transfronteiriços, financiamento empresarial e cooperação entre administrações fiscais, com poupanças estimadas em cerca de 8 mil milhões de euros por ano.

Destaques

  • Comissão Europeia propõe isenção de retenção na fonte sobre pagamentos transfronteiriços de dividendos, juros e royalties, prevendo poupanças anuais de 5,3 mil milhões de euros para empresas europeias.
  • A diretiva 'Omnibus' permite dedutibilidade integral dos juros em financiamentos de baixo risco e eleva o teto dos auxílios de Estado 'de minimis' para 3 milhões de euros, indexado à inflação.
  • As novas medidas de simplificação fiscal e cooperação administrativa, previstas para vigorar até 2028, deverão reduzir custos administrativos em 3,3 mil milhões de euros e reforçar a competitividade na UE.

Pacote fiscal mira dividendos, juros e investimento

Como noticiou o Jornal de Negócios, a Comissão Europeia aprovou esta quarta-feira duas propostas para modernizar o quadro de tributação direta da UE, sem comprometer o combate à fraude, evasão e elisão fiscal. O pacote inclui uma diretiva "Omnibus" sobre tributação direta e a reformulação da diretiva relativa à cooperação administrativa entre os Estados-membros.

No capítulo da tributação, o Executivo comunitário propõe isentar de retenção na fonte os pagamentos transfronteiriços de dividendos, juros e royalties entre empresas da UE. A alteração visa evitar dupla tributação e deverá gerar poupanças anuais de cerca de 5,3 mil milhões de euros para as empresas europeias.

A diretiva "Omnibus" também elimina restrições consideradas desnecessárias ao financiamento de terceiros e de mercado, facilitando o investimento. Em operações de baixo risco com empréstimos bancários e financiamento de mercado, os juros pagos passam a ser dedutíveis a 100%, enquanto o teto dos auxílios de Estado "de minimis" sobe para 3 milhões de euros em todos os Estados-membros e fica indexado à inflação.

Além disso, os investimentos em defesa ficam fora dos limites previstos e são removidas sobreposições entre as regras aplicadas às empresas controladas no estrangeiro e o imposto mínimo global. As pequenas e médias empresas deixam de estar abrangidas por essas regras, enquanto as restantes passam a seguir uma abordagem descrita pela Comissão como mais proporcional.

Implementação até 2028 e impacto na competitividade

A reformulação da diretiva sobre cooperação administrativa consolida num texto único as oito alterações introduzidas ao longo do tempo, com o objetivo de tornar as regras mais acessíveis e coerentes para os 27 Estados-membros. Entre as mudanças previstas estão o fim da obrigação de comunicar determinados acordos transfronteiriços, o reforço do reporte de vendas online de bens em segunda mão e uma nova ferramenta de verificação dos números de identificação fiscal.

Segundo a Comissão Europeia, só em custos administrativos estas medidas deverão permitir às empresas poupar cerca de 3,3 mil milhões de euros. Somadas às alterações na tributação direta, as propostas integram a estratégia comunitária para reforçar a competitividade empresarial e simplificar a regulação fiscal no mercado interno.

As duas iniciativas seguem agora para consulta no Parlamento Europeu e para adoção no Conselho. A maioria das medidas de simplificação deverá ser implementada até 2028, num calendário que a Comissão apresenta como resposta à urgência de reduzir a carga administrativa e melhorar o ambiente de investimento na UE.

Na nossa publicação anterior, destacámos a agenda económica e empresarial da semana, incluindo a votação no Parlamento Europeu sobre a legislação do euro digital, um passo relevante no avanço do projeto do BCE. O artigo reuniu ainda outros temas com impacto no ambiente económico, como indicadores da habitação em Portugal e acontecimentos corporativos relevantes para os mercados.

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