Yunit aponta burocracia nos fundos como travão às PME em Portugal

Yunit aponta burocracia nos fundos como travão às PME em Portugal
Burocracia trava PME

Num contexto de maior profissionalização das pequenas e médias empresas, a Yunit Consulting defende que o acesso a fundos comunitários continua condicionado por atrasos processuais. Bernardo Maciel sustenta que as PME evoluem na separação entre família e negócio, mas ainda perdem demasiado tempo com candidaturas e decisões demoradas.

Destaques

  • Bernardo Maciel, CEO da Yunit Consulting, aponta a burocracia como principal entrave à eficácia dos fundos comunitários para PME em Portugal.
  • A morosidade no processamento dos apoios financeiros reduz a competitividade e a capacidade de resposta das empresas portuguesas face a outros países europeus.
  • Maciel defende maior rigor na avaliação dos fundos comunitários e incentiva as PME portuguesas a investir mais tempo em planeamento estratégico.

Evolução das PME e entraves nos apoios

Como relatado pelo Jornal de Negócios, Bernardo Maciel, CEO da Yunit Consulting, acompanha há mais de duas décadas as pequenas e médias empresas e as candidaturas a fundos comunitários, área em que identifica progressos na gestão empresarial, mas também bloqueios persistentes. O gestor destaca, entre os avanços, uma maior separação entre a esfera familiar e a atividade do negócio, sinal de amadurecimento em parte do tecido empresarial português.

Na entrevista integrada nas Conversas com CEO, Maciel afirma que o principal problema continua a estar na burocracia associada aos apoios. Na sua leitura, criam-se instrumentos de financiamento, mas o processo arrasta-se durante meses até ao lançamento dos concursos, à divulgação das decisões e à capacidade das plataformas para receber e tratar a documentação.

Impacto na competitividade e no planeamento

O responsável da Yunit considera que esta morosidade reduz a eficácia dos fundos e limita a capacidade de resposta das empresas, incluindo em áreas como a defesa, que usa como exemplo para ilustrar a lentidão dos mecanismos. Na comparação feita pelo gestor, outros países europeus avançam mais depressa na operacionalização destes instrumentos.

Maciel defende também uma avaliação mais rigorosa da eficácia dos fundos comunitários e diz que gostaria de ver as PME a dedicar mais tempo ao planeamento. Essa mudança, a seu ver, permitiria que os recursos fossem aplicados com maior impacto operacional e estratégico no tecido empresarial.

Na nossa publicação anterior sobre a internacionalização das PME portuguesas, analisámos como a exportação está a ganhar peso como resposta à concorrência global e à procura de novos mercados. O texto destacava a necessidade de um diagnóstico rigoroso da competitividade e de uma expansão gradual e seletiva, apoiada por inovação, diferenciação e contacto direto com parceiros, além do suporte institucional.

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