Portugal repatria primeiros cidadãos da zona sísmica na Venezuela e mantém operação de apoio

Portugal repatria primeiros cidadãos da zona sísmica na Venezuela e mantém operação de apoio
Repatriação após sismos

O regresso dos primeiros 19 evacuados portugueses da Venezuela marca a fase inicial da resposta de Lisboa aos sismos de 24 de junho, que atingem com especial gravidade a comunidade lusa em La Guaira. O governo confirma 60 mortos entre portugueses e lusodescendentes, enquanto 87 pessoas continuam desaparecidas ou incontactáveis na área afetada.

Destaques

  • Um avião KC-390 português repatriou os primeiros 19 cidadãos da área sísmica da Venezuela, incluindo dois franceses e dois italianos, em operação coordenada europeia.
  • O governo de Portugal mobilizou 64 profissionais com 23 toneladas de ajuda humanitária e reservou 400 mil euros para apoio a associações portuguesas atuando localmente.
  • As autoridades venezuelanas registam 1.719 mortos, 5.034 feridos e estimam perdas materiais preliminares de 6,7 mil milhões de dólares, com a ONU apontando mais de 50 mil desaparecidos.

Evacuação, resgate e apoio no terreno

Como noticiou o The Portugal Post, um avião Embraer KC-390 da Força Aérea Portuguesa aterrou às 05:18 no aeródromo militar de Figo Maduro, em Lisboa, com os primeiros 19 evacuados retirados da Venezuela após os dois sismos. Entre os repatriados seguem cidadãos portugueses, além de dois franceses e dois italianos, num movimento que também reflete a coordenação portuguesa em esforços europeus de retirada.

A operação portuguesa mantém uma base em Catia la Mar, em La Guaira, onde está instalado o quartel-general no Centro Luso Venezuelano. No terreno atuam 64 elementos de uma força conjunta com equipas da GNR, da ANEPC, dos Sapadores de Lisboa e do INEM, apoiados por cerca de 23 toneladas de ajuda humanitária, incluindo material médico, tendas, geradores e alimentos de emergência.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, afirma que a dimensão do desalojamento é particularmente severa em La Guaira, onde vivem cerca de 220 mil portugueses e entre 300 mil e 350 mil lusodescendentes. Imagens de satélite analisadas pela NASA indicam danos ou colapso total em mais de 75% dos edifícios em grandes áreas do estado costeiro.

Apesar da gravidade da situação, o número de pedidos formais de repatriamento continua reduzido. Segundo Rangel, o total não chega a 20 e a retoma gradual dos voos comerciais permite que muitos cidadãos saiam pelos seus próprios meios, enquanto outros preferem permanecer junto das redes familiares na Venezuela.

Apoio financeiro e efeitos para a comunidade portuguesa

O Ministério dos Negócios Estrangeiros reserva 400 mil euros para projetos de ajuda humanitária, dos quais 257 mil euros já seguem para associações portuguesas em atividade na Venezuela. O governo prepara ainda a divulgação de contas bancárias oficiais para donativos, procurando canalizar contribuições por vias reconhecidas e reduzir o risco de fraude.

Entre as entidades já mobilizadas estão a Associação Venexos, a ALUSVEN, a HUELLATINA, a Cruz Vermelha Portuguesa, a UNICEF Portugal, a Cáritas e a Fundação AIS. A orientação oficial privilegia, para já, contribuições financeiras, dado que o envio de bens enfrenta dificuldades logísticas numa zona onde as infraestruturas e as comunicações continuam severamente afetadas.

Uma segunda frente de pressão surge com o agravamento do balanço humano na Venezuela. As autoridades venezuelanas mantêm o total nacional em 1.719 mortos e 5.034 feridos, enquanto a ONU estima mais de 50 mil desaparecidos e perdas materiais preliminares de 6,7 mil milhões de dólares, num cenário em que as operações passam gradualmente do resgate para a recuperação e identificação.

A Madeira tinha uma força especializada de 18 elementos pronta para partir em 24 horas, mas a deslocação foi travada depois de as autoridades venezuelanas sinalizarem que não aceitariam novas equipas internacionais de socorro. Ainda assim, o contingente permanece de prevenção para eventual apoio médico ou pré-hospitalar, caso Caracas venha a solicitar reforço adicional.

Na nossa publicação anterior sobre o apoio prolongado de Portugal após os sismos na Venezuela, explicámos como Lisboa ajustou a resposta da fase de socorro imediato para uma estratégia de reconstrução e assistência de médio e longo prazo, com impacto direto na comunidade portuguesa no país. Também destacámos a coordenação institucional para canalizar ajuda financeira e missões médicas, bem como a preparação de evacuações pontuais de nacionais identificados, em paralelo com a operação no terreno em Catia la Mar.

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