Oliveira de Azeméis enfrenta novo julgamento ligado a contratos de quase 300 mil euros

Oliveira de Azeméis enfrenta novo julgamento ligado a contratos de quase 300 mil euros
Julgamento por contratos públicos

Um novo processo por alegadas irregularidades na contratação pública da Câmara de Oliveira de Azeméis entra em julgamento em setembro, no Tribunal da Feira. O caso centra-se em duas empreitadas de repavimentação realizadas em 2013 e envolve antigos responsáveis autárquicos, empreiteiros e duas empresas de construção civil.

Destaques

  • O ex-presidente Hermínio Loureiro será julgado em setembro por alegadas ilegalidades em contratos de repavimentação de quase 300 mil euros em Oliveira de Azeméis.
  • O Ministério Público pede condenação solidária dos arguidos a pagar 293.584,32 euros ao Estado, referindo fracionamento de contratos e recursos ilegais a ajuste direto em 2013-2014.
  • Hermínio Loureiro é também arguido no processo Ajuste Secreto, envolvendo 65 arguidos por corrupção e outros crimes, com acórdão agendado para 12 de outubro.

Acusações sobre adjudicações e calendário judicial

Como noticiou o Correio da Manhã, citando a Agência Lusa, o ex-presidente da Câmara de Oliveira de Azeméis Hermínio Loureiro começa a ser julgado em setembro, num processo em que o Ministério Público acusa vários arguidos de ilegalidades em ajustes diretos relacionados com obras no concelho.

Além de Hermínio Loureiro, são arguidos o ex-vice-presidente Ricardo Tavares, um engenheiro que exerceu funções de diretor de fiscalização de obras na autarquia, dois irmãos empreiteiros e duas empresas de construção civil. Os arguidos individuais respondem por um crime de prevaricação de titular de cargo político e outro de falsificação de documento agravado, enquanto as sociedades estão acusadas de falsificação de documento agravado.

Segundo a acusação, as irregularidades dizem respeito a duas empreitadas de repavimentação de arruamentos adjudicadas em 2013 e 2014 por um valor global de quase 300 mil euros, montante que exigiria concurso público. O Ministério Público sustenta que, perante a urgência em concluir as obras durante a pré-campanha para as eleições autárquicas de 2013, os arguidos optaram por fracionar o contrato em dois e recorrer ao ajuste direto. As obras foram executadas entre julho e setembro de 2013, mas o segundo contrato só foi assinado em novembro de 2014, quando os trabalhos já estavam concluídos.

O Ministério Público pede ainda que os arguidos sejam condenados a pagar solidariamente ao Estado 293.584,32 euros, valor correspondente à alegada vantagem patrimonial obtida com os factos imputados. Contactado, o advogado de Hermínio Loureiro, Tiago Rodrigues Bastos, afirma que o seu cliente não cometeu qualquer crime e defende que as obras eram da competência do então vereador responsável pelas áreas do urbanismo, obras municipais, trânsito, transportes e energia.

Pressão judicial alarga-se a outros processos e autarquias

O advogado adianta também que prepara recurso do acórdão do Tribunal da Feira que, em junho, condenou Hermínio Loureiro a dois anos e oito meses de prisão, com pena suspensa por igual período, por prevaricação de titular de cargo político num outro processo ligado à adjudicação ilegal de empreitadas. Nesse caso, Ricardo Tavares também era arguido, mas foi absolvido.

Hermínio Loureiro e Ricardo Tavares são ainda arguidos no processo Ajuste Secreto, cuja leitura de acórdão está marcada para 12 de outubro. Esse processo reúne 65 arguidos, entre autarcas, ex-autarcas, quatro clubes desportivos e respetivos presidentes, acusados de crimes como corrupção, peculato, abuso de poder, tráfico de influências, falsificação de documentos, violação de segredo, participação económica em negócio, prevaricação e detenção de arma proibida.

A investigação que deu origem a esse caso culminou em junho de 2017 com a detenção de sete pessoas, entre elas Hermínio Loureiro, então vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, e o então presidente da Câmara de Oliveira de Azeméis, Isidro Figueiredo. A acusação refere ainda uso indevido de fundos de maneio da autarquia para refeições, despesas pessoais e encargos com a sede concelhia de um partido político, além de alegada manipulação de procedimentos concursais e influência junto de entidades para viabilizar um estágio profissional. Os investigadores identificaram igualmente indícios de irregularidades em contratação pública noutras autarquias de Aveiro, como Estarreja e Albergaria-a-Velha, e ainda em Matosinhos e Gondomar.

No nosso artigo anterior sobre a subida dos custos de construção de habitação nova em Portugal, detalhámos como o Índice de Custos de Construção acelerou em maio de 2026 e como esse aumento, alimentado por mão de obra e materiais, está a dificultar novos projetos. Também explicámos que, com a oferta limitada e processos de licenciamento ainda a travar a execução, os preços das casas continuam elevados e a acessibilidade tende a deteriorar-se, apesar de sinais de abrandamento nas transações.

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