Portugal avança com mecanismo de capacidade para reforçar segurança elétrica

Portugal avança com mecanismo de capacidade para reforçar segurança elétrica
Segurança elétrica reforçada

Perante o aumento esperado do consumo elétrico ligado à eletrificação da economia, Portugal prepara um mecanismo de capacidade para garantir energia disponível nos momentos de maior procura. A medida enquadra-se na resposta aos riscos de adequação do sistema identificados para os próximos anos e segue agora para processo de aprovação junto da Comissão Europeia.

Destaques

  • Relatório da DGEG aponta necessidade de 1.240 a 1.690 MW adicionais de capacidade elétrica em Portugal até 2030 para segurança de abastecimento.
  • O Governo avança com mecanismo de capacidade, abrangendo centrais, baterias e gestão da procura, em resposta à pressão de novos consumos como data centers e hidrogénio verde.
  • O plano inclui leilão de 750 MVA de baterias, expansão de armazenamento hídrico e novas centrais de ciclo combinado a gás natural, visando menores custos para famílias e empresas.

Plano assenta em relatório da DGEG

Como noticiou o Jornal de Negócios, o Governo anuncia o arranque de um mecanismo de capacidade depois de um relatório da Direção-Geral de Energia e Geologia concluir que o sistema elétrico precisa de reforço nos próximos anos. O Ministério do Ambiente e Energia indica que o instrumento será aberto a centrais de produção, baterias e soluções de gestão da procura, com o objetivo de assegurar fornecimento quando a rede mais necessitar.

O relatório divulgado na semana passada estima necessidades adicionais de capacidade entre 1.240 e 1.690 MW até 2030. A DGEG conclui também que serão necessários mais recursos de produção, armazenamento e gestão da procura para manter a segurança de abastecimento, num contexto de expansão da mobilidade elétrica, da indústria e de novos consumos de eletricidade.

A base técnica serve ainda de suporte às negociações com Bruxelas, uma vez que as regras europeias exigem a demonstração de riscos para a adequação do sistema antes da aprovação deste tipo de mecanismo. Para essa avaliação, a DGEG utiliza uma norma de fiabilidade de 1,46 horas por ano, correspondente ao limite máximo de risco de falha considerado aceitável pela metodologia europeia.

Pressão de novos consumos e impacto económico

A decisão surge num momento em que o sistema elétrico português enfrenta a perspetiva de maior pressão vinda dos centros de dados, dos projetos de hidrogénio verde e da nova indústria eletrointensiva. Neste quadro, o reforço da capacidade passa a ser apresentado como condição para sustentar a localização industrial e preservar a segurança de abastecimento.

Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente e Energia, afirma que Portugal está entre os países europeus com maior peso de eletricidade de origem renovável e defende que garantir disponibilidade de energia em todos os momentos é parte essencial dessa estratégia. A governante acrescenta que o Executivo prepara o mecanismo de forma sustentada, procurando salvaguardar o menor custo para famílias e empresas, enquanto avança com os procedimentos junto da Comissão Europeia.

O mecanismo integra-se num plano mais amplo de reforço do sistema elétrico. Entre as medidas já apontadas estão o investimento em centrais de ciclo combinado a gás natural, o desenvolvimento de armazenamento energético, incluindo o anunciado leilão de 750 MVA de baterias e armazenamento hídrico, e novas ações de gestão da procura.

Na nossa publicação, analisámos a estratégia de Portugal para expandir os centros de dados de forma faseada e distribuída, evitando a concentração e a pressão sobre a rede elétrica e a habitação observadas noutros mercados europeus. O artigo destacou projetos em Sines e na área de Lisboa, a aposta em eletricidade renovável e o potencial impacto económico até 2030, sublinhando que o planeamento da capacidade de rede é decisivo para acomodar esta nova procura.

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