PSP alerta para burlas com criptomoedas que causam 138 mil euros em prejuízos nas Caldas da Rainha

PSP alerta para burlas com criptomoedas que causam 138 mil euros em prejuízos nas Caldas da Rainha
Fraudes cripto nas Caldas

Dois casos denunciados no mesmo dia nas Caldas da Rainha expõem o impacto financeiro de esquemas de falso investimento em criptoativos que usam a imagem de figuras públicas para atrair vítimas. As queixas envolvem prejuízos superiores a 138 mil euros e reforçam o alerta das autoridades para o aumento deste tipo de fraude em Portugal.

Destaques

  • PSP de Leiria reportou dois esquemas de fraude com criptomoedas nas Caldas da Rainha, causando prejuízos de 138 mil euros a duas mulheres.
  • As vítimas foram atraídas por anúncios, incluindo o uso da imagem de Cristiano Ronaldo no Facebook, e induzidas a transferências bancárias após contactos com falsos gestores.
  • A PSP assinala aumento das burlas envolvendo celebridades e IA, alertando para risco de perdas e necessidade de confirmar entidades financeiras antes de investir.

Esquema usou anúncios e falso apoio ao investimento

A PSP de Leiria informou que as vítimas, duas mulheres de 57 e 84 anos, apresentaram queixa no passado sábado na esquadra das Caldas da Rainha, depois de terem sido abordadas através de anúncios nas redes sociais com alegadas oportunidades de investimento altamente rentáveis.

Num dos anúncios, a imagem de Cristiano Ronaldo foi usada indevidamente no Facebook para dar credibilidade ao esquema. Depois de demonstrarem interesse, as lesadas foram encaminhadas para plataformas digitais, onde forneceram dados pessoais, passando em seguida a ser contactadas por telefone por alegados gestores de investimento que prometiam retornos elevados e acompanhamento personalizado.

Segundo a polícia, as vítimas foram convencidas a fazer sucessivas transferências bancárias para diferentes contas, com a justificação de que os montantes estavam a ser aplicados em criptoativos de elevada rentabilidade. Os suspeitos chegaram também a pedir acesso remoto a computadores, tablets e telemóveis, instalando aplicações que supostamente permitiriam acompanhar a evolução dos investimentos.

Autoridades reforçam aviso sobre fraude digital

Os dois casos não têm ligação entre si, tendo coincidido apenas no dia e no local da apresentação das denúncias. Uma das vítimas, uma cidadã suíça residente em Portugal com autorização de residência permanente, integra um casal que sofreu perdas superiores a 130 mil euros, enquanto a outra, portuguesa, registou um prejuízo estimado em cerca de 8 mil euros.

O esquema manteve-se enquanto continuaram a ser feitos investimentos, mas as vítimas perceberam a fraude quando tentaram resgatar os alegados lucros ou recuperar o capital aplicado e verificaram que isso não era possível. A PSP diz que tem registado um aumento deste tipo de denúncias, muitas vezes associado ao uso abusivo da imagem de celebridades e a conteúdos manipulados com inteligência artificial.

A polícia aconselha os cidadãos a desconfiar de promessas de ganhos garantidos, a não investir sob pressão, a confirmar se as entidades estão autorizadas a exercer atividades financeiras e a recusar o acesso remoto a dispositivos por desconhecidos. Em caso de suspeita, recomenda interromper de imediato os contactos, guardar mensagens e comprovativos, e comunicar rapidamente a situação às autoridades.

O novo Regime Jurídico da Cibersegurança, alinhado com a diretiva europeia NIS2, alarga em Portugal as obrigações de registo, nomeação de responsáveis e notificação de incidentes a entidades de setores críticos e da administração pública, através da plataforma MyCiber. Na nossa publicação, explicámos também o calendário de implementação faseada e o impacto para empresas — incluindo coimas elevadas e outras sanções — num contexto em que a resiliência operacional e a proteção contra ameaças digitais ganham peso.

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