Comissão Europeia promove diálogo sobre investimento florestal para a transição climática da UE
A Comissão Europeia reúne o setor florestal e a indústria da pasta e do papel para discutir como reforçar o papel das cadeias de valor de base florestal na transição climática da União Europeia. O debate centra-se em instrumentos regulatórios e de mercado que podem apoiar investimento, remoções de carbono e resiliência do setor no período pós-2030.
Destaques
- A Comissão Europeia organizou um diálogo de alto nível reunindo proprietários florestais e a indústria de pasta e papel para discutir como novas regras climáticas podem desbloquear capital para a bioeconomia europeia.
- O setor defende um quadro político previsível, preço forte do carbono, energia limpa acessível, infraestruturas robustas de CO2, licenciamento rápido e aceleração comercial de produtos renováveis como químicos de base biológica.
- Participantes destacam a necessidade de mais capital via créditos CRCF, metodologias de certificação ajustadas à diversidade florestal e revisão do regulamento LULUCF até o final de 2026 para suportar a gestão florestal pós-2030.
Diálogo centra-se em investimento e mercado de carbono
Segundo Comissão Europeia, citando informações oficiais, o encontro de alto nível junta representantes de proprietários florestais e da indústria da pasta e do papel para avaliar de que forma novas regras climáticas podem desbloquear capital para a bioeconomia europeia. Participam também representantes dos gabinetes dos comissários Jessika Roswall, responsável pelo Ambiente, Resiliência Hídrica e Economia Circular Competitiva, e Christophe Hansen, responsável pela Agricultura e Alimentação.As discussões começam com as oportunidades de negócio criadas pelo quadro de certificação de remoções de carbono e agricultura de carbono, o CRCF, e pela proposta de integração das remoções permanentes de carbono, incluindo bio-CCS e Direct Air Capture, no Sistema de Comércio de Licenças de Emissão da UE. Os participantes analisam ainda como a futura proposta sobre metas climáticas nacionais e flexibilidades para o período pós-2030 pode apoiar estas oportunidades e criar condições para investimento em gestão florestal inteligente para o clima e em carbono biogénico.
Ao longo do diálogo, os participantes reafirmam o compromisso com a expansão da bioeconomia circular europeia, numa altura em que a substituição de materiais e matérias-primas de origem fóssil ganha peso na política climática da UE. Nas observações finais, Wopke Hoekstra sublinha que as florestas e as cadeias de valor florestais terão prioridade nas próximas propostas legislativas ligadas ao quadro climático após 2030.
Setor pede regras previsíveis e maior resiliência
Entre as principais conclusões do encontro está a defesa de um quadro político previsível e coerente para apoiar decisões de investimento do setor florestal e da pasta e papel. Os participantes consideram essenciais um preço forte do carbono sobre emissões fósseis, energia limpa abundante e acessível, infraestruturas robustas de CO2, maior capacidade de rede, licenciamento mais rápido e aceleração da implantação comercial de produtos de base renovável, como químicos de origem biológica.O diálogo destaca também que a gestão florestal ativa melhora a saúde e a resiliência das florestas, aumenta as remoções de carbono, gera benefícios para a biodiversidade e alarga o acesso a matérias-primas renováveis. Num contexto de alterações climáticas, com maior imprevisibilidade no crescimento das florestas europeias e mais incêndios e pragas, os participantes defendem mais capital para proprietários e gestores florestais, incluindo através de créditos de remoção de carbono emitidos no âmbito do CRCF.
As medidas apontadas incluem a manutenção de diferentes idades das árvores, a escolha das espécies adequadas para cada localização e a otimização dos desbastes. Os participantes sustentam ainda que a futura metodologia de certificação para gestão florestal no CRCF deve refletir a diversidade das florestas e das práticas silvícolas na Europa, enquanto a futura avaliação do regulamento LULUCF, prevista para o final de 2026, deverá servir de ponto de partida para ajustar o enquadramento pós-2030 às necessidades do setor.
Na nossa publicação, já analisámos o desacoplamento entre crescimento económico e emissões em Portugal, que em 2024 registou uma queda de 2,8% nos gases com efeito de estufa para 52,0 milhões de toneladas de CO2e, enquanto o PIB avançou 2,7%. O artigo destacou que a intensidade carbónica atingiu mínimos históricos e que esta trajetória reforça a atratividade do país para investimento e para o cumprimento de metas climáticas, num contexto de maior exigência de descarbonização.
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