Fórum para a Competitividade vê impacto limitado do PTRR na economia portuguesa

Fórum para a Competitividade vê impacto limitado do PTRR na economia portuguesa
PTRR: impacto limitado

Com um volume estimado de 22,6 mil milhões de euros, o Plano Transformação, Recuperação e Resiliência é avaliado como insuficiente para alterar de forma expressiva o crescimento da economia portuguesa. A associação aponta as restrições orçamentais e a burocracia no investimento privado como os principais travões à execução e ao efeito macroeconómico do programa.

Destaques

  • O Fórum para a Competitividade considera que o PTRR, com 22,6 mil milhões de euros até 2034, terá impacto limitado devido a restrições orçamentais e administrativas.
  • Do total do PTRR, apenas 8,3 mil milhões de euros são investimento público distribuído em nove anos, o que equivale a cerca de 0,3% do PIB anual.
  • Apesar da previsão de crescimento da economia portuguesa próxima de 2% em 2024, o fórum alerta para estagnação recente e riscos ligados ao conflito no Médio Oriente.

Avaliação do plano e entraves à execução

Como refere o Fórum para a Competitividade na nota de conjuntura divulgada a 6 de maio, o PTRR não deverá ter um impacto muito significativo, devido às limitações das contas públicas e aos obstáculos administrativos que condicionam o investimento privado.

A associação, liderada por Pedro Ferraz da Costa, defende que será necessário avançar de forma mais decidida com a desburocratização e com a redução dos entraves ao investimento para libertar os fundos privados, estimados em cerca de um terço do total do programa.

No final de abril, o Governo apresentou o PTRR com um montante global de cerca de 22,6 mil milhões de euros, destinado a responder aos danos provocados pelas tempestades no início do ano e a reforçar a resiliência do país a eventos climáticos extremos até 2034. Desse total, 8,3 mil milhões de euros são financiados pelas administrações públicas e distribuídos por nove anos, o que representa menos de mil milhões por ano, ou cerca de 0,3% do PIB, equivalente a 10% do investimento público em 2025, segundo o Fórum.

Previsão de crescimento e riscos externos

Partindo do pressuposto de que as tensões no golfo Pérsico abrandam no curto prazo, o Fórum para a Competitividade estima que o crescimento da economia portuguesa poderá manter-se próximo de 2% este ano, em linha com a projeção revista do Governo enviada na semana passada à Comissão Europeia.

A associação assinala, contudo, que a economia estagnou no primeiro trimestre e que o segundo trimestre começa de forma fraca, com base no indicador diário de atividade do Banco de Portugal, que ainda não mostra recuperação após o duplo choque das tempestades e da guerra no Irão.

Na leitura do Fórum, a principal variável continua a ser a duração do conflito no Médio Oriente, em especial o momento em que a circulação no estreito de Ormuz regressa à normalidade. A associação nota que os mercados financeiros admitem uma solução no curto prazo, refletida num pico dos futuros do petróleo em julho seguido de descida até níveis quase normais no final do ano, enquanto a Euribor a 12 meses também recua, sugerindo menor pressão para novas subidas de taxas pelo BCE.

Na nossa publicação anterior sobre o plano do Governo para reorganizar serviços do Estado com sistemas de inteligência artificial, destacámos a aposta em automatizar licenciamentos e processos administrativos para reduzir prazos de meses para dias. O texto também explicou como agentes inteligentes podem reforçar a transparência e a auditoria na contratação pública, monitorizando preços, fornecedores e a execução dos contratos com alertas sobre desvios e derrapagens.

Este material pode conter opiniões de terceiros, nenhum dos dados e informações nesta página constitui aconselhamento de investimento de acordo com o nosso Aviso Legal. Embora sigamos rigorosos Padrões Editoriais, este post pode conter referências a produtos de nossos parceiros.