Portugal minimiza diferença entre projeções do Banco de Portugal e do Governo para o défice de 2026
O Governo considera limitada a divergência entre a previsão do Banco de Portugal para as contas públicas de 2026 e a estimativa oficial de saldo nulo. A avaliação surge num contexto de abrandamento económico no primeiro trimestre, marcado por tempestades e pelo impacto do conflito no Irão nos preços dos combustíveis.
Destaques
- O Banco de Portugal projeta um défice de 0,2% do PIB para 2026, enquanto o Governo mantém a meta de saldo orçamental nulo nesse ano.
- O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, considera a diferença nas projeções para 2026 pouco significativa e dentro da margem de erro normal.
- O Banco de Portugal prevê crescimento do PIB de 1,8% em 2024, mantendo pressão sobre a gestão orçamental devido a choques externos e subida de combustíveis.
Leitura do Governo sobre as previsões orçamentais
Como noticiou o Jornal de Negócios, o ministro das Finanças disse esta segunda-feira que a diferença entre o défice de 0,2% do PIB projetado pelo Banco de Portugal para 2026 e a projeção do executivo de saldo zero "não é significativa". Joaquim Miranda Sarmento defendeu, em Lisboa, que esta divergência está dentro de uma margem de erro normal e sublinhou que, em comparações anteriores, as diferenças entre estimativas eram mais elevadas.O ministro recordou também que já admitiu a possibilidade de um pequeno défice este ano, tendo distinguido esse cenário da meta traçada para 2025. Segundo afirmou, essa posição difere da expectativa anterior de um excedente robusto, depois de Portugal ter registado no ano passado um saldo orçamental positivo de 0,7% do PIB.
Sobre a despesa líquida primária, excluindo efeitos temporários, investimento e juros, Miranda Sarmento afirmou que o indicador estabilizou em percentagem do PIB. O governante acrescentou que não existe agravamento nem descontrolo e destacou que o banco central continua a classificar a situação orçamental portuguesa como robusta.
Pressão económica e trajetória do PIB
Ao comentar a evolução da economia, o ministro descreveu o primeiro trimestre como um período difícil para Portugal. Na sua leitura, as tempestades e o conflito no Irão afetam a atividade através da subida dos combustíveis e do aumento da incerteza.O Banco de Portugal prevê que o país registe um défice de 0,2% do PIB este ano e de 0,5% em 2027 e 2028. Para 2026, a projeção do banco central fica abaixo da trajetória apresentada pelo Governo em abril, quando o executivo reviu a estimativa para um saldo nulo em vez de um resultado positivo.
Na atividade económica, o banco central mantém a previsão de crescimento de 1,8% para este ano, em comparação com 2025. O quadro reforça a pressão sobre a gestão orçamental, numa fase em que o executivo procura preservar a imagem de solidez das finanças públicas sem ignorar o efeito de choques externos sobre a economia.
Na nossa publicação, detalhámos as novas projeções do Banco de Portugal para as finanças públicas, que apontam para um défice de 0,2% do PIB em 2026 e um agravamento para 0,5% em 2027 e 2028, mantendo ainda assim o saldo próximo do equilíbrio. O texto explicou também que a dívida deverá continuar a descer, embora mais lentamente, e que a deterioração do saldo é atribuída sobretudo à redução do saldo primário estrutural e ao aumento gradual da despesa com juros até 2028.
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