Digi admite sair de Portugal se renovação de espectro da Anacom favorecer atuais operadores

Digi admite sair de Portugal se renovação de espectro da Anacom favorecer atuais operadores
Digi pode sair de Portugal

A proposta preliminar da Anacom para renovar as licenças de espectro dos operadores atuais até 2033 e 2041 está a agravar a tensão concorrencial no mercado português das telecomunicações. A Digi avisa que uma decisão sem medidas que reforcem a concorrência e protejam os consumidores pode traduzir-se na sua saída do país e num impacto anual superior a 180 milhões de euros para a economia.

Destaques

  • Digi ameaça sair de Portugal se a Anacom renovar licenças de espectro apenas para operadores instalados até 2033 e 2041.
  • A retirada da Digi causaria um prejuízo anual superior a 180 milhões de euros para a economia portuguesa, segundo a própria empresa.
  • A decisão regulatória da Anacom sobre o espectro tornará-se determinante para a concorrência e estrutura do mercado das telecomunicações em Portugal.

Renovação das licenças intensifica crítica da Digi

Como noticiou o Jornal de Negócios, o sentido provável de decisão da Anacom defende a renovação das licenças de espectro aos atuais operadores até 2033 e 2041, uma perspetiva que é contestada pela Digi. A operadora romena de baixo custo sustenta que o regulador das telecomunicações deve criar condições mais favoráveis ao funcionamento do mercado e aos consumidores, em vez de consolidar a posição dos operadores já instalados.

A empresa coloca assim em cima da mesa a possibilidade de abandonar Portugal caso a decisão final não introduza um enquadramento mais competitivo. Ainda assim, o diretor de operações da Digi sublinha que essa não é a intenção da operadora, defendendo que o grupo investiu no mercado português com o objetivo de permanecer e desenvolver a sua atividade.

Impacto potencial no mercado e na economia

A eventual saída da Digi representaria, segundo a própria empresa, um prejuízo anual superior a 180 milhões de euros para o país. O aviso reforça a relevância económica da discussão regulatória em torno do espectro, num setor em que a entrada de novos operadores tem sido apresentada como um fator de pressão sobre preços e de estímulo à concorrência.

O diferendo surge num momento em que o enquadramento regulatório das telecomunicações continua a ser determinante para a estrutura do mercado em Portugal. Se a decisão da Anacom avançar sem alterações relevantes, a reação da Digi poderá tornar-se um teste ao equilíbrio entre estabilidade para os operadores instalados e abertura efetiva a novos concorrentes.

Na nossa publicação, analisámos a nova fase das parcerias público-privadas (PPP) em Portugal e o peso da previsibilidade contratual para atrair investimento privado e desbloquear projetos de infraestruturas. O texto sublinhou ainda como a digitalização, a cibersegurança e a transição energética estão a aumentar a complexidade dos contratos e a exigir maior segurança jurídica para viabilizar concessões em áreas como portos e ferrovia.

Este material pode conter opiniões de terceiros, nenhum dos dados e informações nesta página constitui aconselhamento de investimento de acordo com o nosso Aviso Legal. Embora sigamos rigorosos Padrões Editoriais, este post pode conter referências a produtos de nossos parceiros.